Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 09/08/2021
A biografia “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, denuncia as precárias condições de vida e de serviços de infraestrutura vivenciados nas favelas durante o período da industrialização brasileira. Fora da literatura, é indispensável apontar que, ainda hoje, o cenário de instabilidade retratado na obra perdura na nação verde-amarela, dado que há desafios para melhorar o saneamento básico do país. Diante desse cenário, aspectos como a desigualdade social e a passividade política contribuem para firmar tal contexto que prejudica o bem-estar.
A princípio, observa-se que a disparidade existente entre as regiões no território inviabiliza a distribuição igualitária da higienização. Nesse viés, no filme sul-coreano “Parasita”, é retratado os diferentes efeitos de uma forte tempestade em duas famílias. Enquanto a instável residência dos Kim é profundamente alagada e destruída, os Park enaltecem a beleza da chuva em uma alta mansão. Paralelamente, nota-se que a situação vivenciada pelos Kim se aproxima do débil saneamento nas regiões periféricas do Brasil, no qual a desorganização e mau planejamento das grandes cidades mostram-se como impulsionadores dessa conjuntura. Consequentemente, tal debilidade gera prejuízos como retratados no filme, isto é, enchentes decorrentes da impermeabilização do solo.
Além disso, a indiferença do Estado frente ao desenvolvimento do esgotamento sanitário figura uma esfera escassa na pátria. Nessa perspectiva, no início do século XX, chegava à república um novo ideal, o Movimento Higienista, com a preocupação central na saúde e infraestrutura, em que suas propostas residiam na defesa da Saúde Pública, na Educação e no ensino de novos hábitos. Contudo, apesar do projeto inovador desse movimento, tal preocupação não é incorporada pela gestão federal dos tupiniquins, uma vez que há uma alarmante escassez de investimentos e políticas públicas para democratização do saneamento básico. Como desdobramento dessa postura inerte, há ampliação da crise econômica, visto que o adoecimento da população pela proliferação impacta o trabalho.
Portanto, diante do exposto, intervenções capazes de atenuar tais problemas são improrrogáveis. À vista disso, as ONGs devem realizar campanhas socioeducativas nos canais de comunicação, por meio de debates e petições civis que cobrem do Estado uma postura coerente de avanço do manejo higiênico, a fim de que os deveres legais sejam cumpridos efetivamente. Assim, cabe ao Ministério da Saúde ampliar a rede de coleta de esgotos e de acesso à água potável, em que envolva as comunidades carentes, por meio de um plano de melhoria na infraestrutura das cidades, com a realocação canos e populações que moram em locais onde não é possível ofertar saneamento, com efeito de conter o avanço de doenças e da poluição, de modo a mitigar o vivenciado por Carolina Maria. de Jesus.