Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 02/09/2021

Idealizado pelo filósofo Raimundo Teixeira, em 1889, com base nos princípios do positivismo, o lema “Ordem e Progresso” - escrito na bandeira brasileira -, expõe um dos objetivos da nação verde-amarela: o avanço da sociedade, mediante a defesa da ordem . Note-se, todavia, que tal propósito se restringe à teoria, uma vez que o precário saneamento básico configura um desafio grave a ser sanado. Nessa lógica, compreender a ausência de medidas governamentais e a apatia social como principais causas do revés é fundamental.

Diante desse cenário, é oportuno mencionar o governo, como órgão encarregado de promover o bem-estar da população. Entretanto, no Brasil, o poder público omite ações que poderiam atenuar a lamentável situação do saneamento básico brasileiro, como a criação de política públicas que visem o acesso ao tratamento de esgoto para a população. Tal conduta, reflete diretamente nas pessoas que vivem nessas regiões afetadas pelo problema, e que se encontram desamparadas pelo Estado. A esse respeito, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo o qual as entidades, apesar de manterem a sua essência, perderam sua função. Desse modo, infelizmente, as autoridades só demonstram sua inoperância.

Ademais, convém apontar a falta de empatia como impulsionador do problema. Nesse sentido, a “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “A Metrópole e a Vida Mental” -, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Sob esse viés, a banalização do sistema precário de tratamento de esgoto advém da insolidez das relações humanas, as quais deveriam ser responsáveis pela formação de laços sólidos no tecido social, e ainda inaceitar recorrências como essa. Logo, é inadmissível que tal postura continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a urgência de intervenções, com o fito de amenizar a questão. Para isso, urge que o Estado invista, por meio de verbas governamentais, na ampliação do saneamento básico, a fim de atingir regiões socioeconomicamente vulneráveis. E, ainda, cabe ao MEC - instituição responsável pela educação, por meio de palestras nas escolas, instituir debates, com o intuito de salientar os alunos a respeito da gravidade da problemática . Assim as novas gerações construirão um mundo melhor e mais empático.