Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 28/09/2021
O Instituto Trata Brasil, em 2021, divulgou um estudo em que cerca de 35 milhões de brasileiros não têm serviços de água tratada e, aproximadamente, 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. Desse modo, a universalização do saneamento ainda é uma meta distante de ser atingida. Tal fato deve-se, principalmente, à falta de investimentos e, também, à dimensão considerável do território do país.
Primeiramente, pontua-se que a falta de investimento constitui um empecilho para que ocorra a universalização do saneamento básico. Há um juízo errôneo de que garantir saneamento para a população seria um gasto e, não, um investimento. Tal ideia contraria o estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) em que afirma que cada real investido em saneamento resultaria em uma economia de quatro reais na saúde pública. Isso ocorre devido a contaminação da população por doenças causadas pelo contato com esgoto, por exemplo, a leptospirose. Logo, investir em saneamento resultaria numa redução de gastos com saúde.
Em segunda análise, a grande dimensão territorial do Brasil é um outro fator que dificulta o acesso plano de água e esgoto tratado. Frisa-se que há uma diferença na distribuição de investimento nas diversas regiões do país, haja vista que a região sudeste e sul apresentam maiores índices de saneamento básico, segundo o Atlas do Saneamento realizado em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, além de investir pouco, o Governo federal ainda distribui de modo desigual entre as regiões o recurso para a ampliação do saneamento básico.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar o cenário apresentado. Sob esse viés, caberia ao Governo federal junto às empresas privadas realizar estudos sobre as áreas de índice reduzido de saneamento. A partir disso, poderiam ampliar obras nas regiões, por meio de recursos privados, com a finalidade de garantir a qualidade de vida da população local e também gerar renda mediante a criação de empregos. Por fim, tais ações poderiam resultar em uma universalização do saneamento básico.