Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 08/10/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o precário saneamento básico brasileiro - grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia – reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a saúde dos brasileiros seja garantida também pelo saneamento básico - serviço eficiente de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos e pluviais. Entretanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, tendo em vista que grande parte da sociedade ainda sofre com essa adversidade. Esse sofrimento ocorre pelas consequências vindas do precário saneamento, como a propagação de doenças, como exemplo da Dengue, Malária, Leptospirose e Esquistossomose. Logo, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Pois muitas pessoas ainda continuam prejudicando a si mesmas com o pensamento de que não irão sofrer as consequências dos seus atos, como jogar lixos na rua, lagos, rios e represas - podendo causar enchente e alagamento - em vez de descartar seu lixo corretamente no local apropriado. Nesse sentido, a obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência, falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da ética quando se trata do saneamento funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o problema do precário saneamento básico brasileiro. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação junto de cada município brasileiro, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, crie e organize reuniões, palestras e aulas – nos espaços públicos da comunidade - para debater e discutir causas, consequências e sobre como melhorar o saneamento básico atendendo a necessidade individual das cidades, a fim de orientar e reeducar as pessoas sobre como contornar tal obstáculo.