Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 14/10/2021

Segundo o conceito de saúde, estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), esse assunto deve ser tratado de forma biopsicossocial, ou seja, abordar aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Neste sentido, a ausência de saneamento básico no Brasil tem negligenciado tais questões, visto que, a sua falta compromete a qualidade física, mental e humana do cidadão. Logo, analisar a urbanização do território e os resultados na saúde pública é necessário para que se busque soluções eficientes.

Em primeiro plano, vale destacar a formação do país como colaboradora na precariedade do saneamento. Historicamente, o Brasil era encarado pelos seus colonizadores como um território de exploração, o que resultou a ausência de qualquer planejamento estrutural. Desse modo, com a urbanização essa desordem cultural gerou investimentos rápidos e superficiais em áreas prioritárias, abandono de zonas periféricas e disparidades evidentes no saneamento básico. Tal realidade é observada pelos dados do Instituto Trata Brasil, nos quais, em média, 50% dos brasileiros não têm acesso ao tratamento de esgoto, o que reforça essa precariedade.

Em segundo lugar, as consequências da falta de saneamento básico na saúde pública são evidentes. Em sua maioria, as regiões do interior ou marginalizadas não possuem o mesmo grau de recursos que lugares mais centrais e, por isso, a incidência de doenças previníveis, como cólera e leptospirose, é muito maior do que em locais com o mínimo de tratamento. Para mostrar o cotidiano dessas pessoas, o Jornal Hoje elaborou uma série de reportagens sobre o saneamento básico no Brasil, em que relatou a ida constante de crianças aos hospitais públicos para tratar de patologias causadas pelo contato com a água contaminada.

Torna-se evidente, portanto, que a saúde para a OMS abrange muito mais aspectos do que o senso comum e solucionar problemas no saneamento básico irá fornecer o mínimo almejado pela instituição. Sendo assim, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com empresas privadas, deve investir em áreas onde o tratamento de água e esgoto é reduzido ou inexistente. Essa ação será realizada, por intermédio de dados fornecidos pelas secretarias de saúde dos municípios - com as demandas de cada região -, o que gerará um mapeamento de lugares prioritários, a fim de diminuir as doenças e aumentar a qualidade de vida do brasileiro.