Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 04/11/2021

A cidade do Rio de Janeiro - devido à sujeira e ao grande número de epidemias - era chamada de ‘’túmulo dos estrangeiros’’ no contexto da República Oligárquica. Para mudar esse cenário, ocorreram as Reformas Urbanísticas de Pereira Passos, que tinha como objetivo criar a ‘‘Paris dos Trópicos ‘’. As transformações, porém, não beneficiaram a todos, visto que a população mais pobre ficou desamparada e foi excluída para os morros. Essa situação de exclusão permanece até os dias de hoje, pois a formação das cidades e a irresponsabilidade política faz com que muitos permaneçam sem acesso a saneamento básico.

Em primeiro lugar, precisa-se compreender a urbanização brasileira. Devido a posição de subordinação frente a Metrópole, o Brasil enquanto colônia não possuía controle acerca das questões econômicas e não podia desenvolver um produção manufatureira. Como resultado, a industrialização n o país ocorreu de maneira tardia, acelerada e concentrada. As cidades, nesse sentido, passaram a receber  um grande número de pessoas em um pequeno período. Assim sendo, a urbanização tupiniquim não pode ser planejada e a construção de uma rede de saneamento que atendesse as necessidades de toda a população não ocorreu. A questão do saneamento básico, então, é um problema histórico.

Além das dificuldades históricas, há a negligência governamental e social em relação ao saneamento básico. Este é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, contudo , muitos governantes não se preocupam o suficiente em ampliar o acesso a esse direito, dado que as obras são muito demoradas e não terminam no período do mandato. Essa situação de desamparo atinge grande parcela da população, no entanto, o debate público sobre essa temática não é priorizado, uma vez que, na maioria das vezes, os mais afetados pertencem à classes mais baixas, que são tradicionalmente marginalizadas. Por conseguinte, muitos permanecem sem acesso ao saneamento básico.

Fica evidente, portanto, que o saneamento básico brasileiro sofre impasses desde a criação das cidades até ao descaso político. Dessa maneira, pode ocorrer parcerias governamentais com empresas privadas para planejar o crescimento urbano futuro e criar novas regiões de habitação com redes de saneamento adequadas a fim de evitar a ocupação de áreas irregulares e reduzir a população nesse local. Ademais , o Terceiro Setor pode, em conjunto com perfis confiáveis e alinhados com essa questão, promover o debate público a partir de campanhas e relatos sobre os problemas do saneamento no país para educar a população sobre a necessidade de pressionar políticos e exigir mudanças.