Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 15/11/2021
“O povo não passa de uma abstração”. Essa frase, pertencente ao conto “Seminário dos Ratos”, sintetiza a lógica política de alienação e afastamento da população que marcava a realidade brasileira na década de 70 e que foi denunciada na obra. Para além dessa época, percebe-se ainda hoje um cenário governamental pautado no descaso com o povo e na satisfação de seus próprios interesses, gerando dificuldades para melhorar problemas como o saneamento básico brasileiro. Nessa lógica, é essencial compreender as principais causas dessa questão, dentre as quais se destacam a mentalidade política e a falta de questionamento.
Diante dessa perspectiva, é importante notar que a falta de preocupação dos governantes com a população intensifica os empecilhos para solucionar a questão sanitária. Acerca disso, é válido destacar que essa lógica resulta em casos de corrupção e péssimas iniciativas públicas que não solucionam efetivamente o problema. Tal fato é demonstrado pela contaminação das águas do Rio de Janeiro com geosmina por dois anos seguidos, resultado da má gestão e falta de cuidado com as necessidades do povo. Perante o exposto, compreende-se que a ideia da população como abstração gera a predominância de políticos que desejam atender apenas suas vontades, levando a precarização do abastecimento de água, esgotamento e limpeza. Sendo assim, é essencial uma mudança de postura governamental para resolver o problema.
Ademais, é necessário reconhecer a falta de reinvindicações populares como outro elemento que colabora para a perpetuação do precário saneamento brasileiro. Tal ideia é validada pela herança de governos paternalistas da década de 30 a 60, os quais utilizavam de líderes carismáticos e políticas públicas para controlar a população. Sob essa ótica, compreende-se que a glorificação da figura no poder fez com que os cidadãos acreditassem que seu papel era simplesmente escolher um governante que resolvesse todos os problemas, esquecendo que o governo deve agir de acordo com as reinvindicações populares. Assim, os brasileiros deixam de questionar a situação do saneamento e esperam que o próximo chefe de estado resolva.
Portanto, a fim de reduzir os desafios para o desenvolvimento do saneamento básico, é preciso criar o projeto “Isso não é normal”. Em parceria com outros meios de comunicação, emissoras de televisão irão veícular vídeos que mostram a realidade precária do saneamento brasileiro e deem voz para que o povo denuncie. A ação será exposta entre intervalos comerciais e nas redes sociais, sendo composta de entrevistas e questionamentos. Desse modo, a população vai alterar sua mentalidade e vai deixar definitivamente de ser apenas uma abstração.