Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 20/11/2021

Segundo a UNESCO, tanto para o combate a pobreza, quanto para uma boa qualidade de vida, é fundamental a existência de uma rede coletora de esgoto. No Brasil, infelizmente, a democratização do acesso a esse serviço é um desafio sendo que quase 50% dos brasileiros ainda não o tem. Nesse sentido, a baixa preocupação das autoridades ao longo da história e a pouca pressão popular, são exemplos de barreiras para a melhora desse serviço no país.

Primeiramente, a pouca atenção dada pelas autoridades governamentais no decorrer da formação do país é um desafio a ser vencido. Nesse sentido, já no século XIX, segundo o historiador Laurentino Gomes em seu livro “1808”, o despejo de dejetos humanos na cidade do Rio de Janeiro eram jogados na Bahia de Guanabara, enquanto a família real, presente na cidade, pouco caso fazia. Hodiernamente, em paralelo a isso, o tímido crescimento de indivíduos com acesso ao saneamento no Brasil evidencia o nível de relevância que o assunto é, e sempre foi, tratado pelas autoridades.

Além disso, o baixo engajamento populacional como forma de pressão por melhores qualidade de vida, é outro empecílio. Nesse viés, para o sociólogo Max Weber, o conjunto de indivíduos alinhados com as mesma ideias podem exercer forte poder de mudança na sociedade. Evidencia-se esse fato, nas mobilizações populares de 1984, pela redemocratização, e de 2013, inicialmente pelo aumento do valo da passagem de ônibus. Assim, quando o corpo social está coeso em busca de um objetivo a conquista se torna mais fácil. Por outro lado, quando esse corpo está disperso  a luta por direitos torna-se oblíqua. Desssa maneira, fica claro que a baixa pressão popular nesse quesito é um desafio a ser vencido para melhora do saneamento.

Portanto, levando em consideração que a pouca atenção dada pelo governo, bem como a baixa pressão popular são percursos a serem vencidos, é fundamental políticas de mudança. Para isso, o Governo Federal, junto as demais esferas de poder, devem elevar sua preocupação no assunto, por meio da criação de um fundo específico e destinação do mesmo para maiores investimentos em instalação e manutenção de saneamento, visando alcaçar áreas periféricas e democraizar esse serviço. Por fim, a sociedade deve por meio de participação em debates, fóruns e manifetações nas ruas, mostrar maior engajamento, a fim de exercer maior pressão para a melhora desse serviço.