Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 10/05/2022
Na obra pré-modernista “Triste Fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar o precário saneamento básico brasileiro, percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, é importante analisar a negligência estatal e os perigos da falta de saneamento à saúde pública.
A princípio, é fulcral ressaltar que a omissão da governança acerca da universalização da rede de esgoto agrava a problemática. Nessa perspectiva, apesar de assegurar no artigo 225°, da Constituição federal de 1988, nem todos conseguem se beneficiar com o saneamento básico. Assim, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 45% dos brasileiros não usufruem de rede de esgoto, fato que, apesar de garantido na Constituição, demonstra à fragilidade do país acerca dessa problemática, de modo a elucidar a necessidade altos investimentos para a melhora desse âmbito.
Outrossim, é notório que a falta de água tratada e rede de esgoto são grandes vetores de doenças. Nesse prisma, aluda-se ao Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU, que prevê saúde e bem-estar à todos. Sob esse enfoque, torna-se evidente que a falta de investimentos em saneamento, aumenta gastos com a saúde pública, além de favorecer a poluição de rios e morte de animais. Desse modo, com uma melhora nesse cenário, além de universalizar esse direito, o país pode melhorar a saúde pública e os impactos causados ao meio ambiente, o que reduziria os gastos públicos em outros setores, e melhoraria a qualidade de vida da população.
Dessarte, fica evidente que nem todos usufruem do saneamento básico. Logo, cabe ao governo federal, por meio de investimentos, universalizar esse direito, ampliando a rede de esgoto e água tratada, além de promover limpezas em áreas contaminadas pela falta desse bem, com a finalidade de garantir que toda a população tenha água tratada em casa, e a falta saneamento não seja um vetor de doenças, de forma a ocasionar uma melhora na saúde pública. Em vista da concretização dessas ações, o Brasil se aproximará da idealização do Policarpo.