Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 10/05/2022
No livro “O Cortiço”, o autor naturalista Aluísio de Azevedo expõe o convívio e o ambiente em que viviam os moradores do cortiço. Dentre esses aspectos, se destaca a falta de saneamento básico do lugar, que colaborava para o surgimento de muitas doenças. De maneira análoga, essa é a realidade de muitos brasileiros, que pela precariedade do saneamento básico do Brasil, têm seus bem-estares comprometidos. Logo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em primeira análise, deve-se destacar que o precário saneamento básico brasileiro é causado pela ausência de políticas públicas eficazes que corrijam tal problemática. Tal situação ocorre, porque, de acordo com a antropóloga Lilia Schwarcz, há a existência de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, problemas tendem a ser suavizados e não recebem a visibilidade que necessitam. Prova disso é que apesar da existência de projetos para a resolução, como o PLANSAB – Plano Nacional de Saneamento Básico-, as metas e objetivos permanecem apenas no papel, e com o passar do tempo acabam sendo esquecidos. Diante disso, é visto o descaso com milhares de brasileiros.
Ademais, outro desafio para que o problema continue a perdurar é a falta de uma população que reivindique seus direitos na prática. Isso acontece, pois, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, há no Brasil a formação de uma “cidadania operária”, em que as pessoas não são estimuladas a desenvolverem seu pensamento crítico e buscar seus direitos, mas apenas há serem mãos de obra. Nesse viés, a população mais vulnerável, por desconhecimento dos seus direitos constitucionais – saneamento básico e saúde – não cobram a efetividade dos mesmos na prática. Dessa maneira, é imprescindível uma solução.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. É papel do Ministério da Saúde junto ao da Economia, por meio de um maior direcionamento de verbas, garantir que o PLANSAB seja efetivado na prática. Paralelamente, cabe as escolas e a população em geral promover campanhas nas redes sociais – Instagram, Facebook e Twitter – incentivando todos os cidadãos a lutarem por suas cidadanias. A fim de que o cenário de “O Cortiço” não seja mais vivido.