Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 21/08/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como as dificuldades acerca do precário saneamento básico no território. Nessa perspectiva, tal panorama decorre de uma vasta negligência governamental agregada a uma banalização elitista da população que gera fatores segregativos.

Diante desse cenário, é fulcral ressaltar a indolência por parte dos órgãos superiores, os quais atuam com descaso na busca por alternativas que reduzam a crise do saneamento básico brasileiro. Sob esse viés, determinada postura vai de encontro com os ideais do filósofo contratualista Thomas Hobbes, o qual corrobora que o Estado foi criado para assegurar os direitos humanos, eliminar as desigualdades e promover a coesão social. Todavia, a administração superior mostra-se inconsequente ao ignorar a função de garantir a boa qualidade de vida aos seus cidadãos, que também foi promulgada pela Constituição de 1988.

Ademais, salienta-se as consequências causadas pela elitização dos centros urbanos, fator que ocasiona na gentrificação e na segregação socioespacial das classes sociais mais baixas para lugares muito próximos à rios e saídas de esgoto. Isso porque, foi analisado mediante a pesquisas da CNN, que o número de casos de doenças como esquitossomose e leptospirose ocasionadas pelo contato com águas contaminadas é consideravelmente superior na parcela mais pobre do país. Como também, a falta de informação acerca dos riscos que esses locais impróprios para banho, recolhimento de água e brincadeiras infantis causam à saúde.

Portanto, é de indubitável importância que o governo federal, na condição de garantidor dos direitos individuais do cidadão, promova políticas públicas para mitigar esse óbice. Para tanto, é primordial a implementação de leis mais rígidas que assegurem por meio da disponibilização de verbas a maior infraestruturação e salubridade para essas áreas. Bem como, que o poder executivo numa parceria com a imprensa informem os danos que o uso inadequado da água pode causar. Logo, será possível almejar o maior bem-estar social, a diminuição do número de doenças causadas por esse problema e o cumprimento da adaptação de 1889.