Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 30/08/2023

Oswaldo Cruz, diretor da Saúde Pública do Rio de Janeiro no século XX, ficou conhecido por seus trabalhos na erradicação da varíola e da peste bubônica. Nesse sentido, o sanitarista desenvolveu métodos de isolamento e limpeza de locais afetados por essas doenças, além de permitir o avanço das políticas de higienização nos grandes centros urbanos. No entanto, o Brasil está longe de garantir o saneamento básico nas regiões mais pobres o que afeta diretamente a saúde e as condições de vida da população mais carente.

Em primeiro lugar, é válido citar que o livro “O cortiço”, escrito por Aluísio de Azevedo, retrata a história de um dos primeiros cortiços (conjuntos habitacionais para a população pobre) do país, construído em 1890 com esgoto a céu aberto. Evidencia-se, portanto, que a falta de saneamento básico para os brasileiros mais pobres é uma realidade há mais de um século e conta com a falta de investimentos do setor público. Desse modo, com esgoto passando pelas ruas e com a escassez de água potável, os menos favorecidos ficam expostos a doenças infecciosas, o que coloca em risco a saúde dessas pessoas.

Ademais, é importante lembrar que o saneamento básico é um direito garantido por todos pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, a carência desse tipo de serviço nas favelas brasileiras é exteriorizada no filme “Cidade de Deus” que exibe crianças brincando próximas de lixos e roedores. Logo, fica claro que as comunidades periféricas não contam com auxílio do Estado para garantir o direito às condições básicas, o que expõe a vida de milhares de cidadãos em risco. Assim, lixos acumulados nas ruas e roedores são as causas de doenças como dengue e leptospirose que podem levar a morte.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar projetos de saneamento básico em favelas dos grandes centros urbanos, por meio da contratação de sanitaristas para analisar esses territórios e elaborar um plano específico de acesso aos serviços essenciais para cada comunidade. Dessa forma, o Brasil garantirá o acesso ao saneamento básico para todas as pessoas.