Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 17/10/2024

Na antiguidade, as primeiras noções de saneamento básico surgiram no Império Romano. Por volta de 600 a. C., os romanos construíram um dos sistemas de esgoto mais antigos do mundo, e séculos antes já possuíam aquedutos que traziam água de locais distantes. No entanto, na sociedade contemporânea, muitos brasileiros ainda não têm acesso a saneamento básico, mesmo após 2.500 anos da criação desses sistemas. Assim, é a população mais vulnerável que sofre as consequências desse problema. Logo, faz-se necessário que o Estado intervenha e torne a solução dessa questão uma prioridade.

Primeiramente, é importante analisar a relação entre a desigualdade social e a ausência de saneamento. No início da República brasileira, a Reforma Urbana de Pereira Passos visava a europeização do Rio de Janeiro. Para que isso ocorresse, houve a demolição de cortiços e a expulsão de moradores do centro da cidade. Esse processo deu início às ocupações dos morros, onde a população, sem muitos recursos, começou a construir suas moradias, resultando nos grandes esgotos a céu aberto que existem até hoje. Uma das principais consequências desse cenário é a propagação de doenças, muitas vezes fatais, entre essa população.

Ademais, a ineficiência estatal contribui para a perpetuação desse problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar de todos os cidadãos. Entretanto, essa responsabilidade não vem sendo cumprida no Brasil, visto que 90 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil. Mesmo com avanços, como o Marco Legal do Saneamento Básico, ainda é necessária uma atuação mais incisiva do Estado para assegurar o bem-estar da população.

Portanto, é imprescindível agir para resolver esse problema. O Estado deve intensificar os investimentos na rede de saneamento básico, visando atender o maior número possível de indivíduos. Além disso, o governo pode investir em moradias populares nos centros urbanos, possibilitando que moradores de regiões periféricas tenham acesso ao saneamento e à saúde. Somente assim poderemos corrigir um atraso de séculos.