Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/10/2025

Desde o Iluminismo, no século XVIII, período em que a razão e o progresso huma-

no ganharam destaque, espera-se que a sociedade evolua de forma ética e igualitá-

ria. Contudo, na conteporâneidade brasileira, nota-se que essa expetativa ainda não se concretizou plenamente, sobretudo quando se observa a persistência dos desafios da inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. Esse cenário revela uma realidade em que fatores socioculturais, institucionais e éticos se entrelaçam, comprometendo o pleno exercício da cidadania e exigindo medidas urgentes de transformação.

Em primeira análise, é válido destacar que a formação cultural e histórica do país contribui para a perpetuação desse quadro. Conforme o filósofo Michel Foucaut, o poder se manifesta de forma sutil nas estruturas sociais, moldando comportamen-

tos e naturalizando injustiças. De maneira análoga, oberva-se que a exclusão de pessoas com deficiência é resultado de um processo de normalização social, em que o problema é encarado com indiferença. Assim, o silêncio coletivo diante dessa realidade reforça a sua continuidade, tornando urgente a desconstrução de tais padrões.

Além disso, as consequências desse problema são alarmantes. O sociólogo Zy-

munt Bauman, ao refletir sobre a “modernidade líquida”, destaca que a fluidez das relações humanas gera superficialidade e desinteresse pelo coletivo. Essa lógica é perceptível quando se nota que capacitismo tem aumentado, o que enfraquece laços sociais e impede o desenvolvimento de uma sociedade empática. Nesse con-

texto, obras como “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, simbolizam a desuma-

nização resultante da negligência social, uma metáfora atemporal da urgência em priorizar o humano acima da conveniência.

A partir desse prisma, é imprescindível que o Estado, em parceria com instituições educacionais e a mídia, promova ações efetivas que revertam esse quadro. Isso po-

de ocorrer por meio da implementação de campanhas educativas, que estimulem o pensamento crítico e a valorização da ética social, aliadas a políticas públicas que garantam igualdade de acesso e conscientização contínua. Somente assim será possível resgatar os ideais iluministas de razão e progresso.