Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 04/05/2026
No filme “Como Eu Era Antes de Você” - contextualizado nas dificuldades trazidas pela nova condição física de Will -, o protagonista se desloca até uma corrida de cavalos em uma procura de lazer. No entanto, o lugar se mostra restrito ao passo que Will não consegue se locomover com sua cadeira pelo espaço, gerando constrangimento. De forma análoga à obra, a realidade brasileira se caracteriza igualmente excludente devido ao capacitismo vigente, impulsionado pela limitação ainda explícita dos lugares públicos e pela falta de uma educação inclusiva.
Diante desse cenário, é essencial ressaltar que estruturas físicas mal desenvolvidas são fatores preponderantes na exclusão de pessoas com alguma deficiência. De acordo com a tese “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo Milton Santos, apesar da dignidade humana ser garantida por lei, certos grupos sociais não usufruem de seus direitos. Sob essa visão, fato semelhante discorre, uma vez que existem normas de acessibilidade, porém não são implementadas integralmente - como efeito de uma baixa fiscalização e denúncias efetivas -, comprometendo, assim, a autonomia de indivíduos pcd’s e sua associação à vida social urbana.
Além disso, a ausência de uma educação abrangente é outro motivo para uma postura capacitista. Nessa perspectiva, a série “Young Sheldon” aborda a limitação da escola que, por não possuir recursos materiais e profissionais capacitados para englobar a pluralidade dos alunos, torna-se negligente com Sheldon, um garoto superdotado. Na medida em que o ensino não é pedagogicamente articulado para atender estudantes atípicos, tal como retratado na ficção, o pleno convívio e o vínculo entre discentes e docentes são impactados, fomentando uma espécie de violência simbólica, sob a ignorância e a estigmatizações potencializadas.
Logo, notam-se desafios no combate ao capacitismo no Brasil. Portanto, é dever do Poder Público - por ter papel na garantia dos direitos dos cidadãos - assegurar a melhoria da acessibilidade nos espaços públicos, por meio de investimentos para infraestrutura e de vistorias, a fim de promover oportunidades equitativas à população. Ademais, cabe ao Ministério da Educação - por ser responsável em políticas educacionais - impulsionar incrementos na formação de professores e de auxiliares, com o objetivo de viabilizar uma ampla integração no meio escolar.