Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 23/12/2020
Desde Beethoven, perpassando por Van Gogh, até Stephen Hawking, observa-se que, historicamente, pessoas com deficiência possuem suas capacidades subestimadas. Nessa perspectiva os estereótipos de incapazes recaídos sobre deficientes, aliado à desinformação sobre esse tema, potencializa o capacitismo no Brasil. Desse modo, são prementes discussões acerca dos deletérios efeitos da associação entre incapacidade e deficiência.
Nesse contexto, em seu livro, “Eichmann em Jerusalém”, Hannah Arendt traz o conceito de banalidade do mal para definir o ato de conviver com o mal e praticá-lo sem perceber, banalizando-o. Dito isso, associar portadores de deficiência (pcd) à incapacidade tornou-se um ato banal, já intrincado na sociedade. Nesse viés, de modo torpe, muitos subestimam a capacidade intelectual e física dos deficientes, graças a uma padronização social, que descapacita e desconfia das suas competências. Ademais, a falta de visibilidade de pcds em filmes, novelas e propagandas, por exemplo, retrata a ausência de espaço para debates e compreensão desse assunto, além de refletir na falta de informação em torno das habilidades dos deficientes. Assim, é inquestionável que a criação de estereótipos e o desconhecimento em relação a atitudes capacitistas são desafios para o combate dessa problemática.
Nessa perspectiva, de acordo com a Terceira Lei de Newton, toda ação gera uma reação. Tal premissa enseja uma reflexão: o capacitismo pode acarretar diversos impactos negativos sobre os deficientes, caso suas demandas não sejam retratadas. Sob esse prisma, a série americana, “The Good Doctor”, revela um médico autista, o qual luta pela confiança dos seus companheiros de trabalho e denuncia a sujeição dos deficientes à falta de oportunidades e diversos tipos de preconceito e exclusões. Ademais, a constante necessidade de demonstrar suas aptidões, pode, de modo nefasto, afetar a autoconfiança e a autoestima dos deficientes e despertar um sentimento de incapacidade, de acordo com pesquisas do Ibope Inteligência. Posto isso, são indubitáveis os efeitos devastadores as ações capacitistas sobre as pessoas com deficiência.
Depreende-se, portanto, que a estigmatização e a falta de informação potencializam o capacitismo no Brasil. Logo, é imperioso que o Ministério da Saúde elabore campanhas publicitárias, por meio da veiculação de propagandas nas mídias sociais, com informações sobre as questões das pessoas com deficiência, além de apresentar suas histórias, necessidades e orientações sobre como não ser capacitista. Tal ação tem o intuito de mitigar manifestações preconceituosas, propagar discursos anticapacitistas e dar visibilidade aos deficientes. Assim sendo, a linha do tempo do capacitismo, iniciada muito antes de Beethoven, pode ser finalizada no século XXI.