Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Nesse contexto, ela aponta para a fragilidade do sistema público de educação no combate ao capacitismo, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo ao respeito e à igualdade, promove a exclusão social. Assim, é necessário impulsionar uma maior reflexão acerca dos desafios enfrentados para solucionar essa problemática.

A princípio, Mário de Andrade, importante poeta modernista, alegava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas a permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao contexto do ‘‘American Way Of Life’’ (Estilo de vida americano), quando a sociedade, predominantemente industrial, disseminava a ideia de que as vagas de emprego deveriam ser destinadas às pessoas não portadoras de deficiência, a fim de obter alto grau de produtividade, independente do direito ao trabalho do cidadão. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma cultura que banaliza a imagem de incapacidade associada à deficiência física e mental e discrimina o indivíduo que não se adequa ao modelo de trabalhador estabelicido socialmente.

Além disso, é evidente que a influência do ensino, no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação ao capacitismo, estabelece a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares, ambas capazes de alertar a população acerca da importância de debater sobre o capacitismo dos deficientes, contribuem para o desconhecimento sobre a inclusão social desse grupo. Por exemplo, segundo dados da plataforma digital G1, apenas 20% das empresas brasileiras disponibilizam vagas de trabalho para cidadãos com dificuldade locomotora e mental com vistas a promover a acessibilidade, enquanto que os outros 80% visam somente cumprir leis.

Depreende-se, portanto, que ações contra o capacitismo devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino nacional, deve investir em propagandas de educação social para estimular uma mudança comportamental do indivíduo sobre a inclusão dos deficientes. Isso ocorrerá por intermédio da disponibilização de locais e de horários para o surgimento dos ‘‘mutirões da conscientização’’, os quais se baseiam em eventos para alunos e comunidade, com o objetivo de minimizar a banalização da incapacidade da deficiência. Dessa forma, busca-se construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.