Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

No século XIX, uma forma de entretenimento nos circos eram os shows de “aberrações”, os quais apresentavam pessoas com deficiências para que o público se divertisse, isso revela como atitudes discriminatórias, como o bullying para com deficientes, são problemas históricos. Atualmente, dá-se o nome de capacitismo para se referir a esses comportamentos preconceituosos que permanecem presentes na sociedade e geram grandes desafios no seu combate, seja pela negligência gorvernamental, seja pela forma ofensiva como essas pessoas são representadas pelas mídias.

Em primeiro lugar, destaca-se a pouca responsabilidade do governo, principalmente, quando se trata da mobilidade urbana como facilitadora do acesso a serviços pelos deficientes. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, em sua teoria do fato social, as mudanças do coletivo reverberam no comportamento individual. A partir desse contexto, nota-se como a escassez de acessibilidade contribui para uma maior invisibilização dessas pessoas, visto que dificulta o acesso dessas a diferentes locais, desde áreas de lazer até de trabalho, assim, por serem menos vistas no cotidiano, são menos normalizadas pelos outros cidadãos. Ademais, outro exemplo desse problema é a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que um quarto da população do país é portadora de alguma deficiência. Dessa forma, soluções devem ser tomadas para que esses sejam tratados de forma digna.

Além disso, salienta-se também a forma errônea como as mídias retratam essa parcela do povo. De acordo com a autora Rupi Kaur, a representatividade é vital para todo ser humano. Nessa situação, torna-se evidente como a influência midiática é nociva para esses brasileiros, pois não naturaliza sua existência como seres capazes, outrossim é preoconceituosa e violenta. Boa demonstração desse problema foi um relatório de uma fundação americana que analisou 280 séries de TV que, em metade delas, tinha as figuras portadoras retratadas de modo deprimente e limitador. Logo, mostra-se importante que a forma como esses indivíduos são representados seja modificada.

Em suma, tanto a falta de preocupação governamental, quanto a representação midiática capacitista são problemas a serem combatidos. Portanto, cabe ao Governo Federal, junto às mídias, criar uma lei que designe aos municípios capital para melhorar a estrutura de mobilidade urbana para deficientes e um programa que explique o que é o capacitismo e como combatê-lo, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nesse programa, influenciadores digitais com deficiência serão os protagonistas de um curta que deverá ser reproduzido em horário nobre da TV aberta, dando dicas de como acabar com o capacitismo, respeitar e incluir os portadores, para que, diferente do século XIX, o entretenimento seja a favor das pessoas com deficiência.