Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A novela “Vitória” conta a história de um jovem que, ao sofrer um acidente, perde o movimento das pernas e sofre com a rejeição do pai e as dificuldades de ser cadeirante na sociedade. Fora da ficção, o que se observa é análogo, visto que o capacitismo - descriminação ou subestimação de portadores de deficiência - está presente na realidade brasileira. Com isso, um dos caminhos para resolver a problemática é combater a omissão governamental e o preconceito social.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a negligência do Poder Público perpetua esse quadro. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, instituições zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Nesse âmbito, pode-se afirmar que o governo, em relação aos dos portadores de deficiência física, é uma dessas instituições. Tal fato fato ocorre devido ao investimento mínimo em políticas públicas que objetivam a garantia dos direitos básicos a essa parcela do corpo social - como as sinalizações nas calçadas para deficientes visuais, transportes públicos devidamente adaptados e a punição de pessoas que praticam o capacitismo. Dessa forma, fica claro que, enquanto o descaso do Estado for a regra, a dignidade humana desse grupo social não será oferecida.

Outrossim, é lícito postular que a falta de atuação da população é um fator a ser combatido. A esse respeito, é pertinente evidenciar a tese da filósofa existencialista Simone de Beauvoir sobre a Invisisibilidade Social, que diz respeito ao processo de apagamento e marginalização de grupos socias excluídos. Diante do exposto, é notório perceber que a falta de debates, programas que incluam pessoas deficientes e uma educação que ensine o respeito à diferença impulsiona esse revés. Isso porque, segundo a lógica de Beauvoir, a população anula a voz desses indivíduos e, além de não reivindicar pelos direitos básicos, reproduz atitudes preconceituosas.

Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para mitigar a problemática. A fim de que o capacitismo deixe de ser uma realidade no Brasil, o Ministério da Educação deve promover aulas sobre cidadania, respeito à diferença e inclusão social. Isso pode ser feito por meio de palestras com portadores de deficiência e do ensino da Língua Brasileira de Sinais às crianças. Desse modo, haverá o respeito a todos, desde à infância. Ademais, o Ministério da Cidadania, com o objetido de garantir os direitos básicos aos deficientes, precisa criar um plano nacional de inclusão. Tal proposta precisa incluir reformas urbanas que facilitem a vida desses indivíduos. Sendo assim, histórias como a apresentada pela novela “Vitória” ficarão apenas na ficção.