Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 24/12/2020
No seriado Vikings, é retratado o instante em que o personagem Ragnar Lothbrock tenta descartar o seu filho Ivar devido a uma deficiência que o impedia de caminhar e lutar. Fora da ficção, é notório que o capacitismo retratado no mundo cinematográfico expõe uma concepção generalizada de que pessoas deficientes são incapacitadas e consideradas inferiores perante aos outros. Consequentemente, essa problemática afeta a democracia no Brasil, por isso, desafios como o legado histórico e a influência de ídolos seletivos devem ser mitigados para garantir a harmonia social.
Em primeiro lugar, é importante enfatizar que a influência de culturas arcaicas modelaram um preconceito generalizado contra deficientes. Isso porque, em Esparta, as crianças que nasciam com algum tipo de problema físico ou mental eram consideradas subumanas e, por isso, abandonadas ou descartadas, assim como visto por Ragnar. Dessa forma, a sociedade brasileira atual é considerada herdeira do pensamento helenístico, devido ao movimento literário arcadismo, que resgatava influências gregas. Por conseguinte, a violência contra deficientes foi mantida na população, o que resultou no preconceito enraigado contra essa parcela social e construiu bases para o capacitismo.
Em segundo lugar, diante do exposto, deve-se ressaltar que a sociedade brasileira possui uma visão idealizada do corpo humano devido aos seus referenciais. Segundo o filósofo Francis Bacon, em sua teoria do Ídolo das Cavernas, fundamenta que os indivíduos com características naturais singulares tais como suas habilidades e educação, são capazes de influenciar um determinado conjunto de pessoas. Seguindo essa linha de raciocínio, o Brasil, com uma população marcada pela valorização de artistas e atletas com físicos idealizados, acaba por negligenciar pessoas deficientes renomadas como Stephen Hawking, Aleijadinho e inúmeros atletas paralímpicos. Consequentemente, é moldado uma visão de inferioridade devido a uma idolatração seletiva e a falta de altruísmo dos indivíduos.
Portanto, tendo em vista que as raízes históricas e os referenciais seletivos sobre o corpo humano são desafios que devem ser mitigados para combater o capacitismo na sociedade brasileira, cabe ao Estado remodelar a teoria de Bacon na população e descontruir o legado preconceituoso. Primeiramente, o Ministério da Educação deverá implantar nas escolas e faculdades aulas e trabalhos sobre Stephen Hawking, considerado um dos maiores intelectuais do século XXI, com a finalidade de demonstrar que deficientes podem obter um resultado da mesma forma que uma pessoa comum e descontruir o legado histórico. Ademais, o Ministério Público deverá criar projetos midiáticos com o intuito de valorizar atletas paralímpicos, dessa maneira irá remodelar a teoria de Bacon e demonstrar a valorização do corpo de diversar formas. Por fim, o capacitismo será combatido no Brasil.