Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

A série estadunidense “American Horroy Story” possui uma temporada que tematiza um show de aberrações, a qual mostra a realidade, durante o século XIX, das pessoas com deficiências que eram usadas como entretenimento e como motivo de riso. Similarmente à ficção, o cenário nacional atual se mostra problemático ao combater a discriminação para pessoas deficientes, visto que elas são colocadas, hierarquicamente, nas últimas posições de funcionalidade e de beleza, ainda que haja avanços sociais, como o encerramento dos freaks shows “. Desse modo, é perceptível que o preconceito e a falta da efetivação das leis são barreiras que precisarão de vencidas para acabar com o capacitismo.

Primeiramente, o preconceito para com as pessoas com deficiência é um problema que permeia a sociedade desde os primórdios das civilizações, que supervaloriza a corponormatividade. Na Cidade Estado Esparta, da Grécia Antiga, bebês os quais portavam qualquer deficiência eram mortos, a fim de evitar guerreiros deficientes. Em virtude dessa intolerância enraizada, a discriminação pejorativa para com as pessoas ditas socialmente como “deformados”, “imperfeitos”, “incapazes” e entre outras descrições depreciativas é considerado crime. No entanto, apenas uma punição não muda o pensamento coletivo, medidas educativas são necessárias para transformar-lo.

Ademais, de acordo com o Artigo 5 da Constituição de 1988 a isonomia é assegurada a todos, entretanto a realidade se mostra oposta a Carta Magma. Essa situação é consoante ao livro “Cidadão De Papel” do jornalista Gilberto Dimenstein, que aborda a ineficiência dos direitos no Brasil, sendo garantido apenas em teoria. Tal cenário é perseptível quando se trata da cidadania incompleta de pessoas portadoras de qualquer deficiência, na prática a regulamentação não funciona e isso apenas acentua o problema da capacitação.

Portanto, a fim de atenuar os desafios para erradicar o capacitismo da sociedade brasileira. Cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, introduzir medidas educativas que removam o pensamento coletivo depreciativo sobre as pessoas com deficiência e sobre a supervalorização da corponormatividade, desde pequenos, através de aulas sobre o assunto e um contato maior com pessoas com diferenças. Além disso, compete ao Ministério da Justiça elevar a fiscalização dos direitos dos deficientes, para diminuir o número de “cidadãos de papel”. Somente assim a realidade se distanciará da ficção de “American Horror Story”