Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 24/12/2020
No filme “O livro de Eli”, é retratada a saga de um homem após o apocalipse que, mesmo sendo cego, concluiu a missão que Deus o enviou. Hodiernamente, fora da ficção, embora após anos de avanços tecnológicos e sociais que melhoraram a qualidade de vida dos deficientes, a questão do preconceito sobre esses indivíduos ainda é uma realidade no Brasil, haja vista sua relação com esteriótipos defasados e com fatores estruturais. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas para solucionar essa grave e inercial problemática.
Em primeiro plano, na antiga cidade Grega de Esparta, o corpo era amplamente valorizado, na medida que os cidadãos “defeituosos” eram mortos e os ditos perfeitos, elevados socialmente. Na atualidade, apesar dos cuidados com o físico serem fundamentais para o aumento da longeividade nacional, verifica-se, no Brasil, uma hiper-valorização que acentua preconceitos. Esse fato é elucidado pela aversão comunitária aos portadores de deficiência física que, por possuírem alguns desvios anatômicos, são excluídos do convívio social e tratados como inferiores. Desse modo, além de validara perpetuação de modelos corporais, essa realidade configura um impasse, na medida que garantias são violadas e a nação mantém um ciclo vicioso de retrocesso e discriminação.
Ademais, Paulo Freire, em sua obra literária “Pedagogia da autonomia”, destacou como a educação tem o poder de alterar o ordenamento e a mentalidade comunitária. Diante dessa máxima, levando em consideração o fato supracitado, nota-se que, embora as escolas do país contêm com a presença de indivíduos limitados, esses são tratados com diferença pelos próprios professores, o que configura, desde o ensino de base, o fomento da repulsa aos incapacitados. Nessa ótica, a defasagem no que se refere à questão educacional reverbera as atuais complicações, em que o papel do lecionamento é limitado e o capacitismo continua ameaçando os Direitos Humanos.
Portanto, com o intuito de solucionar esse impasse, o Governo Federal, na figura do Ministério da Educação, deve alterar o estilo de ensino ministrado nas escolas do país, mediante a adoção de um lecionamento politizador, intermediado por simpósios, debates e palestras,para que, assim, tanto os padrões corporais defasados, quanto a exclusão dos ambientes estudantiz sejam minimizados, o que, além de reduzir os preconceitos, favorecerá a edificação de uma sociedade mais justa. Por fim, é dever do Estado investir em campanhas de conscientização e reformas urbanísticas, de modo que a redução de barreiras arquitetônicas e ideológicas favoreçam a integração dos deficientes na comunidade, o que possibilitará a minimização do capacitismo na esfera social.