Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 24/12/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é oposto do que o autor prega, visto que a discriminação social e a falta de empatia dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de acessibilidade, quanto da exclusão social no Brasil. Diante disso, torna-se fulcral trazer à superfície discussões no que tange à esses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade não só no cenário hodierno, mas também ulteriormente.
Em uma primeira análise, é indiscutível que o capacitismo é algo enraizado na sociedade, é assíduo e deriva da baixa atuação dos setores governamentais, principalmente, no que concerne ao reconhecimento desta problemática e a criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. Sob essa ótica, o pensador Thomas Hobbes defende que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Essa máxima, encontra-se deturpada do contexto atual, haja vista que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos inalienáveis, como a inclusão e segurança.
Ademais, é imperativo ressaltar a crença de que as pessoas deficientes são incapazes e a desigualdade social como promotores desta discriminação no Brasil. De acordo com um relatório da fundação Ruderman Family Foundation, embora exista a inclusão de personagens com deficiências físicas, especificamente, no cenário de TV e streaming. Majoritariamente, a deficiência é retratada como um estado indesejado, deprimente e limitador. Diante de tal exposto, é indiscutível que a concepção capacitista é intrínseca à corponormatividade e que a ausência de intervenções públicas também corroboram com a perpetuação dessa realidade instável e temerária. Logo, reconhecer este cenário contribui para a resolução deste quadro deletério.
Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar o avanço da problemática na sociedade brasileira. Por conseguinte, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação e das ONGs, será revertido, na criação de debates no que tangem ao reconhecimento da exclusão social enfrentada pelos deficientes e a promoção de melhores condições de acessibilidade, por meio do investimento em tecnologias e intervenções públicas, com o fito de minimizar os fatores condicionantes dessa realidade nocente. Somente assim, como resultado, os impactos adversos serão diminuídos, e possivelmente, erradicados. Dessa forma, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.