Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 24/12/2020

Segundo a historiadora Lilia Schwarcz, o preconceito no Brasil é um projeto para manter uma minoria no poder. Nessa pespectiva,infelizmente, o capacitismo no país, ato de discriminação contra deficientes, deriva da sobreposição do poder e influência política de homens brancos, de classe alta e sem deficiência em detrimento das necessidades de grupos que não atendem essas características, tais como os deficientes físicos e mentais. Denota-se, portanto, que o lamentável preconceito em questão deriva dos desafios oriundos do molde educacional e político tupiniquim.

Inicialmente, é necessário pontuar que, segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant, o homem resulta da educação recebida por ele. Sob esse viés, é indubitável que uma sociedade capacitista deriva de uma educação pública e privada que não abraça as diversidades sociais, tendo em vista que o espaço, a metodologia e até os debates das salas de aula do Brasil não contemplam aqueles que possuem uma condição física e mental supostamente fora da normalidade. Como resultado, a discriminação é legitimada mesmo pelo próprio corpo civil que cria esteriótipos, infantiliza e rejeita os corpos deficientes. Uma prova disso é que, segundo a Agência Brasil, apenas 1% dos brasileiros com deficiência está no mercado de trabalho, o que mostra um receio lamentável de empregadores de aceitar tal público.

Ademais, é possível afirmar que o modelo político tupiniquim reforça a persistência do capacitismo no Brasil. Isso ocorre devido a uma falta de representatividade no campo político de líderes que abracem as questões capacitistas, criando ou garantindo a aplicação de políticas públicas que permitam a ocupação de deficientes em todos os espaços. Nesse aspecto, o que falta para a inclusão de pessoas com todas as condições físicas e mentais é o que, nas palavras do filósofo Thomas Marshal, é a concessão, pelo Estado, da cidadania efetiva desses indivíduos, permitindo-os o gozo completo de todos seus direitos a partir de políticas que erradiquem, de fato, qualquer manifestação de preconceito.

Por fim, alguma medidas devem ser adotadas para superar os desafios de combate ao capacitismo no Brasil. De primeira, para que o corpo civil abrace as diversidades, ao ponto de não manifestar preconceitos contra deficientes, faz-se necessária uma educação acessível para deficientes físicos e mentais, além de uma matéria no ensino fundamental acerca de combate á desigualdade. Para isso, o Ministério da Educação deve reformular os espaços das escolas e criar materiais adequadas para quem tem deficiência visual e motora, acompanhada de profissionais que preparem os alunos à aceitarem diversidades por meio de debates. Ademais, o Ministério da Cidadania deve criar campanhas que estimulem os cidadãos à buscarem por representantes políticos, durante as eleições, que tenhas planejamentos traçados para a inclusão de deficientes no mercado de trabalho e nas ruas.