Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Na antiga Esparta, deficientes eram considerados defeituosos e sem valor para a sociedade, constituída basicamente de guerreiros, por isso, após o nascimento de uma criança, se comprovada deficiência, ela era assassinada. Atualmente, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, deu-se início à luta para que todos, deficiente ou não, tenham direitos equivalentes. Contudo, a permanência da discriminação contra tal grupo impede esse direito na prática e contribui para sua marginalização na sociedade.
Inicialmente, é importante salientar como o estigma histórico dessa minoria estimula o capacitismo na sociedade atual brasileira. De fato, segundo a socióloga Hannah Arendt, a diversidade é inerente à condição humana, de maneira que todos deveriam estar habituados ao diferente. Entretanto, devido ao preconceito passado de geração a geração, as pessoas são influenciadas a desprezar os deficientes e desvalorizá-los. Logo, devido ao preconceito ainda vigente na sociedade, os cidadãos tendem a descriminalizar esse grupo, fato que, por condição humana, não deveria existir.
Consequentemente, o capacitismo contribui para que essa comunidade seja marginalizada socialmente. Nesse viés, conforme o sociólogo Erving Goffman, quando um indivíduo ou grupo é considerado desqualificado ou menos valorizado, devido a uma marca ou sinal, físico ou comportamental, são propensos a serem marginalizados socialmente. Paralelo a isso, no livro ’’ Memórias Póstumas de Brás Cubas ‘’, o protagonista deixa de se casar com uma dama, simplesmente por ela ser ’’ coxa ‘’, e por meio disso, considerando-a menos valorizada devido a sua deficiência. Dessa maneira, apesar de ser um livro fictício, ele retrata a descriminalização e a marginalização desse grupo que ainda persiste nos dias atuais.
Portanto, diante desse contexto, para erradicar o preconceito historicamente inserido na sociedade e combater o capacitismo, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto da mídia, grande formadora de opinião, acabar com o preconceito na sociedade brasileira, ao focar principalmente na geração mais jovem. Nessa lógica, isso deve ocorrer por meio de propagandas e campanhas, majoritariamente nas mídias sociais, devido ao grande número de usuários, além de palestras nas escolas, com a intenção de estimular um pensamento crítico nos alunos e fazê-los questionar o preconceito contra os deficientes. Assim, será possível quebrar o caminho de propagação do preconceito no país e acabar com a discriminação, bem como impedir a marginalização social dessa minoria.