Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 25/12/2020

De acordo com a filosofia do estoicismo, independentemente dos atributos físicos e cognitivos de um indivíduo, todos têm sua dignidade e merecem tratamento equitativo enquanto seres humanos. Apesar do caráter isonômico existente entre todos os cidadãos, pessoas com deficiência sempre tiveram dificuldade em serem incluídas na sociedade em razão do preconceito contra suas especificadas, fenômeno conhecido como capacitismo. De modo a compreender o tema, é preciso discutir o utilitarismo na valorização das pessoas e a democracia como fator includente.

Primeiramente, é preciso afirmar que a sociedade, há muitos anos, atribui valor às pessoas de maneira utilitarista, tendo como base sua capacidade produtiva. Desde a primeira revolução industrial , no século XIX, o surgimento das primeiras fábricas e o êxodo rural massivo propiciou uma situação de excesso de mão de obra e péssimas condições de trabalho, no qual os trabalhadores eram vistos apenas como uma mera ferramenta produtiva. Na idade contemporânea, embora tenha havido uma melhoria nas condições de vida e um relativo aumento na distribuição de riqueza, as pessoas ainda são julgadas pelo seu potencial produtivo e poderio financeiro. No caso dos deficientes, a grande maioria sofre preconceitos por seus aspectos físicos e psicológicos, além de serem inibidos de diversas oportunidades de trabalho e convivência. Portanto, a história influenciou de maneira crítica na criação de preconceitos e na exclusão dos deficientes. Logo, medidas profundas devem ser tomadas de maneira a corrigir esse problema.

Por outro lado, também é preciso atribuir à democracia como principal razão para a inclusão dos cidadãos marginalizados, em especial dos deficientes. Assim como diversas minorias adquiriram direitos na Constituição de 1989, os indivíduos de condições especiais tiveram suas condições de cidadania ampliadas pela criação de diversos direitos. Dentre os principais, se encontra o direito à acessibilidade, por meio da obrigatoriedade de ônibus municipais em terem elevadores para o transporte de cadeirantes, além do direito à gratuidade em serviços como cinema e teatro. Já no âmbito civil, a demanda por serviços que atendessem esse nicho específico da população estimulou a criação de diversos aplicativos de caráter inclusivo, como tradutores de braile e navegadores de GPS para cegos. Dessa maneira, a democracia não apenas reconheceu os grupos antes marginalizados, mas também propiciou sua inclusão social e estimulou mecanismos de integração na sociedade.