Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 26/12/2020

O legado de Esparta

Em Esparta, cidade-estado da Grécia Antiga, utilizava-se a prática da eugenia para selecionar os bebês considerados aptos a serem guerreiros. No contexto atual, isso foi abolido, todavia, ainda permanece como hábito o capacitismo, o qual tem sua origem tanto na segregação existente, como na visão de que pessoas com deficiência física ou mental são incapazes. Dessa forma, faz-se necessário a ação dos setores sociais para se reverter essa situação.

Em primeiro lugar, é preciso compreender como o preconceito e a discriminação são contribuintes nessa problemática. Para isso, é pertinente mencionar a filósofa alemã Hannah Arendt, que propõe o mais grave mal ser aquele visto como algo corriqueiro, comum. Nesse sentido, a exclusão das pessoas com deficiência se enquadra como um dos piores males, uma vez que é frequente e danoso. Isso pode ser evidenciado com as piadas acerca desse grupo social, muitas vezes, desqualificando justamente o simples fato de possuir alguma limitação. Além disso, também pode-se observar o isolamento desses em instituições, como a escola, por desprezo dos colegas, fato que prejudica a integração à sociedade.

Outrossim, vale salientar a visão a respeito daqueles com problemas físicos ou mentais como um ônus. Isso ocorre porque, por possuir algum tipo aparente de limitação, muitas as pessoas julgam os indivíduos com deficiência como incapazes e os tratam assim, contribuindo para interromper uma iniciativa dos próprios sujeitos. Na prática, isso pode ser evidenciado no tratamento caracterizado pelos maus-tratos, como violência, xingamentos e pouca paciência. Todavia, já se evidencia o contrário de tal pensamento, com o desempenho de funções trabalhistas de possuidores de síndrome de Down, por exemplo, em inúmeras empresas no país. Dessa maneira, vê-se a necessidade de uma mudança de postura social.

Portanto, diante desses entraves que fomentam a existência do capacitismo, medidas interventi-  -vas são essenciais. Desse modo, cabe ao governo, em específico, ao setor legislativo, por meio de proposta e de votação em assembleia nacional, criar uma emenda constitucional que puna de forma rigorosa aqueles que praticarem piadas ou exclusão quanto à pessoas com deficiência, a fim de se evitar que tais práticas se perpetuem. Ademais, a Escola deve incentivar, mediante aulas e palestras, a visão sobre desse grupo de indivíduos como pessoas capazes de levar uma vida normal e digna, com intuito de estimular a inclusão e a geração de renda por parte desses. Assim, o Brasil será um país realmente diferente de Esparta.