Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 26/12/2020

Nas histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, o personagem Luca é cadeirante, joga basquete e brinca com as outras crianças. Entretanto, esse cenário não se aplica à maioria das pessoas com deficiência no Brasil, as quais são vítimas do capacitismo – preconceito contra deficientes. Sob essa perspectiva, a problemática encontra desafios a serem superados e deve ser combatida, visto que compromete aspectos básicos da vida social, a saber, o bem-estar e a liberdade.

A princípio, de acordo com Hans Jonas, é dever das gerações atuais garantir o bem-estar das gerações futuras. Nessa lógica, a discriminação contra corpos e capacidades que fogem do padrão imposto pela sociedade vai de encontro com a afirmação do filósofo alemão, uma vez que qualquer forma de preconceito reduz a qualidade de vida das vítimas. Dessa forma, elas sofrerão não apenas a negligência do Estado, mas também a hostilidade da população. Logo, faz-se necessária a superação desse desafio.

Além disso, segundo Jean-Paul Sartre, o ser humano é condenado a ser livre. Nesse sentido, o capacitismo materializado na infraestrutura não planejada confronta o pensamento de Sartre, dado que as pessoas com deficiência não têm a liberdade de compartilhar os mesmos ambientes e experiências que as outras. Dessa maneira, o preconceito contra as deficiências prejudica a ordem social e torna o país menos democrático.

Portanto, é dever das escolas ensinar aos alunos e funcionários o respeito às diferenças, por meio da inclusão e do combate ao preconceito – com leitura de obras, atividades teatrais, musicais etc. com a perspectiva de personagens que não se enquadram na norma social, por exemplo –, a fim de diminuir o capacitismo no Brasil. Ademais, o Estado precisa atuar na solução dessa problemática, por meio de investimentos em infraestrutura – como construção de rampas para cadeirantes, calçadas para cegos, textos em braile em mapas, museus etc. –, com o objetivo de democratizar o espaço público e permitir que ele seja compartilhado por toda a população. Assim, será possível superar os desafios para combater o capacitismo no Brasil.