Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém, toda vez que estava quase alcançando o objetivo, a rocha rolava morro abaixo por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, o capacitismo pode ser comparado à rocha de Sísifo, pois, quando há uma tentativa de combatê-lo, ele sofre a ação de forças contrárias, como a visão limitadora da sociedade em relação aos deficientes e a ineficiência do Estado na garantia de igualdade a esses. Por isso, torna-se necessário o debate acerca dos desafios para o combate ao capacitismo no Brasil.

Primeiramente, é importante destacar que, geralmente, as pessoas têm um pensamento limitador sobre os deficientes. Sob essa ótica, na cidade de Esparta, durante a antiguidade clássica, os indivíduos que nasciam com alguma deficiência morriam sendo lançados de um penhasco, porque eram tidos como incapazes de se tornarem bons guerreiros. Nesse sentido, percebe-se que a ideia de insuficiência dos deficientes foi construída e persiste desde a idade antiga, visto que, atualmente, os sujeitos com deficiência são constantemente rotulados como inaptos, o que não condiz com a realidade. Nesse seguimento, o físico Stephen Hawking, por exemplo, não se limitou às deficiências, decorrentes de uma doença degenerativa, e se provou como um dos maiores cientistas do mundo.

Em segundo lugar, vale ressaltar a ineficácia do Estado na garantia de igualdade aos deficientes. Nesse viés, a Lei Brasileira de Inclusão assegura condições de equidade às pessoas com deficiência. Apesar da legislação, o direito não é, verdadeiramente, alcançado no país, haja vista que a discriminação está presente em vários âmbitos do cotidiano, desde expressões, como “dar uma de João sem braço”, até na acessibilidade, falta de adaptações para o transporte coletivo, exemplificando. Dessa forma, o governo contribui para a permanência do capacitismo na sociedade, corroborando a improficiência na sustentação da igualdade.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Assim, é mister que a comunidade de pessoas com deficiência, por meio da utilização das redes sociais, como o “Twitter”, compartilhe a hashtag “Somos capazes” juntamente com depoimentos de superação, a fim de desconstruir o pensamento limitador da sociedade e expor a autonomia dos deficientes. Além disso, cabe ao governo federal, mediante a assembleias do poder executivo, reforçar a necessidade da aplicação da Lei Brasileira de Inclusão e realizar políticas públicas que deem maior autossuficiência aos deficientes. Dessa maneira, as forças contrárias que impedem o combate ao capacitismo no Brasil poderão ser extintas.