Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 26/12/2020

No filme “A Convenção das Bruxas”, as bruxas não possuem todos os dedos, retratando-as dessa forma fez lembrar a ectrodactilia, uma má formação congênita, e isso gerou revolta e pedidos de boicote na “internet”. Acerca dessa lógica, a penúria de campanhas de conscientização contribui, em maioria, para a perpetuação de ideais capacitistas. Não obstante, a busca pelos padrões corporais impostos socialmente influi, em geral, para a exclusão de grande parte dos deficientes físicos. Logo, ações estatais que transmudem os fatos fazem-se prementes.

Destarte, a inobservância governamental acerca da inclusão de pessoas deficientes físicas coadjuva, em maioria, na continuidade de convicções preconceituosas. Sob essa óptica, recentemente, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto, na qual busca implantar salas de aula para crianças com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo, e superdotação, separando-os dos outros alunos. Nesse viés, é notório que medidas como essa vai de encontro a inclusão conquistada nos últimos anos, visto que com a implantação dessas salas, os outros alunos poderiam passar a tratar esses jovens diferentemente, perpetuando, mais ainda, o capacitismo. Desse modo, medidas que mudem esse cenário são urgentes.

Outrossim, a propagação dos chamados “corpos perfeitos” na “internet” coopera, substancialmente, na continuidade de piadas capacitistas em parte da sociedade. Nessa conjuntura, no século XIX, eram famosos os chamados “Circo dos Horrores”, no qual pessoas com deficiência eram expostas ao público apenas para fazê-los rir, não de suas piadas ou senso de humor, mas para rirem de seus corpos, sendo apenas um objeto de lucro. À vista disso, hodiernamente, pessoas que não se encaixam nos padrões impostos nas mídias digitais acabam por serem excluídos dos círculos sociais dificultando, em geral, o acesso à inclusão. Por conseguinte, atos que mudem essa realidade são importantes.

À luz dessas considerações, em solução aos imbróglios supracitados, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério da Economia, deve investir capitais nas escolas públicas do País, implantando materiais e treinando os professores, objetivando a inclusão de alunos que possuam alguma deficiência dentro da sala de aula, em convivência mútua com os outros alunos, buscando o bem-estar de todos da instituição. Ademais, o Ministério das Comunicações deve realizar campanhas televisivas, nos intervalos dos programas, com pessoas que possuam deficiência, instruindo a maior parte da população acerca da quebra dos ideais capacitistas, visando à maior inclusão e respeito na maior parte da população. Por esses intermédios, o capacitismo pode deixar de ser um empecilho no País.