Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 01/01/2021

Em um dos episódios de  “eu, a patroa e as crianças" o personagem Michael, patriarca da família, age de maneira preconceituosa com seu amigo que ficou paraplégico. Embora seja uma ficção, a série denúncia uma complexa problema que aflige o Brasil, o capacitismo (termo que remete à discriminação que indivíduos com deficiência sofrem na sociedade). Sob essa ótica, faz-se essencial analisar a mazela educacional e a falta de uma cultura inclusiva como principais desafios na superação dessa problemática.

Em princípio, o fato das escolas não prepararem os alunos para viverem com a diversidade estimula o capacitismo. Segundo a escritora Helen Keller, a primeira mulher cega e muda a se formar na América do Norte, o resultado mais importante da educação é a tolerância. Antagonicamente,  no cenário canarinho, esse sublime resultado é negligenciado em prol da produtividade meramente conteudista, em outras palavras, visando alcançar bons resultados em conteúdos, a escola esquece de oferecer uma educação humanitária. Como consequência, nota-se que a formação dos indivíduos se torna deficitária em seu viés social, por isso a visão preconceituosa com relação às diversas deficiências permanece presente. Dessa forma, infere-se a importância de oferecer uma educação que promova a tolerância no Brasil.

Ademais, devido à ausência de uma cultura inclusiva na sociedade, as pessoas com deficiência são tratados como incapazes de viver autonomamente. De acordo com o artigo quinto, da Constituição Federal, todos os cidadãos devem ser tratados igualmente perante a lei. No entanto, graças à difusão de uma visão excludente, na prática essa norma não é seguida. Isso porque, devido ao fruto dessa visão, a maioria dos espaços públicos não possuem acessibilidade para os indivíduos com deficiência e, em consequência dessa segregação, a noção de autonomia deles é rebaixada. Logo, percebe-se que, pela ausência de espaços inclusivos, o capacitismo é fortificado.

Dessa maneira, conclui-se que é necessário combater o capacitismo no Brasil. A fim disso, é fundamental que o Ministério da Educação invista na cultura da tolerância. Isso deve ser feito por meio de palestras, ministradas ao ensino básico e médio, sobre a importância do respeito à diversidade e como o capacitismo pode se manifestar no cotidiano do brasileiro. Em paralelo,  é essencial que essa instituição, junto ao Poder Público, divulgue campanhas informativas sobre o direito à acessibilidade dos cidadãos com deficiência. Posto isso, será possível combater o preconceito e promover a cultura de igualdade, tolerância e de inclusão no país.