Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
No livro “Brasil, país do futuro”, escrito por Stefan Zweig, o autor aponta para a idealização de uma nação progressista em diversos âmbitos. Judeu e austríaco, o historiógrafo fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho, onde, segundo ele, seria uma terra próspera para a ruptura de hábitos maléficos ao corpo social. Entretanto, verifica-se que o combate ao capacitismo ainda não é notório no Brasil, apresentando-se antagonicamente ao ideário exposto por Stefan. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à falta de ativismo social.
Em primeiro plano, a Constituição Federal de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, o respeito às diferenças individuais, bem como o combate ao que possa romper essa diretriz da comunidade. Todavia, o próprio Poder Estatal, por falta de políticas públicas, fere a legislação. Tendo isso em vista, o Ministério da Educação não promove a propagação de palestras educacionais alertando a população acerca da necessidade de que termos e expressões capacitistas caiam em desuso. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal.
Outrossim, percebe-se que a problemática encontra terra fértil na falta de ativismo social. Sobre isso, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, retrata bem isso, uma vez que demonstra o quão prejudicial é o descaso da sociedade frente às demais realidades, fomentada pelo individualismo e falta de empatia diante de um problema. Tal fato pode ser exemplificado na discriminação praticada contra pessoas com deficiência, já que é considerado desnecessário e extremista, por grande parte da população, uma readequação do vocabulário popular por uma causa capacitista. Diante disso, pessoas com defiência tornam-se vulneráveis a mais problemas, o que prejudica a harmonia da coletividade e a plena vivência da cidadania.
Isto posto, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve levar palestras informacionais pelo Brasil, alertando a população sobre a necessidade de se combater o capacitismo e sobre as diversas expressões dessa espécie usadas rotineiramente e que devem ser abolidas, de modo que ocorra uma massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, “lives” sobre o problema em questão, as quais deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, tendo como finalidade promover uma concientização social. Assim, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.