Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
A série da Netflix “Atypical” retrata a história de Sam, um garoto de 18 anos diagnosticado com autis-mo, e evidencia as dificuldades enfrentadas pelo protagonista e a sua família no que diz respeito ao preconceito social e as dificuldades de inclusão no ambiente escolar e universitário. Nessa perspectiva, essa obra permite refletir sobre a questão do capacitismo e da discriminação de pessoas com deficiên-cia, seja ela física ou mental. Assim, é necessário analisar essa questão tanto pela perspectiva da falta de discussão sobre o assunto, quanto pelo fortalecimento de estigmas sociais contra esse grupo social.
Em primeiro lugar, é valido ressaltar que a falta de conhecimento e de debates sobre a deficiência física e mental apenas fortalece a questão do capacitismo na sociedade. Dessa forma, percebe-se que a escassa presença de políticas inclusivas e de acessibilidade dificultam a integração desse grupo social na convivência em sociedade, o que acentua a exclusão e a invisibilidade social, que pode ser observada pela baixa representatividade em ambientes como escola e o mercado de trabalho. Em decorrência disso, nota-se que tal exclusão contatria a Constituição de 1988, já que os artigos 5 e 6 garantem o direito a um tratamento igualitário sem distinção de qualquer tipo, assim como também garante o acesso à educação.
Outrossim, também é importante compreender sobre a necessidade de combater o preconceito e os estigmas sociais contra essa parcela da população. Nesse sentido, evidencia-se a importância de com-bater o capacitismo para possibilitar a superação das ações preconceituosas e discriminatórias que são feitas contra as pessoas deficientes e estão enraizadas na sociedade. Esse enraizamento pôde ser observado, por exemplo, na sociedade Espartana e durante o regime Nazista, e em ambos os casos foi possível perceber a legitimição do capacitismo por meio de ações que matavam e excluiam deficientes físicos e mentais. Por conseguinte, nota-se a perpetuação da Violência Simbólica, conceito desenvolvi-do pelo filósofo Pierre Bourdieu, e que apenas afirma o caráter hostil e o legado do estigma social nesse grupo social.
Portanto, é notável a necessidade de impedir o capacitismo na sociedade contemporânea. Por isso, é necessário que o Poder Legislativo promova a inclusão de pessoas deficientes nas escolas e no mer-cado de trabalho, por exemplo. Isso deve ser feito por meio do desenvolvimento e da fiscalização de leis que garantam o acesso das pessoas deficientes na sociedade, a fim de combater o capactismo, a exlusão e a invisibilidade desse grupo social, uma vez que o direito à participação social sem distinção é garantido pela Constituição. Por meio dessa ação, será possível evitar que a Violência Simbólica perpetue e pessoas deficientes, como Sam, possam ter uma vida em sociedade.