Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 27/12/2020
A teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, haveria seres humanos melhores a depender de suas características físicas. No contexto social brasileiro, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão do capacitismo, preconceito com indivíduos com deficiência. Com isso, é preciso entender que o fardo da produtividade contemporânea e o silenciamento sobre o tema são os maiores desafios para o combate ao capacitismo no Brasil.
Em primeiro lugar, o estilo de vida moderno é um entrave para esse complexo cenário. Sob esse viés, o filósofo Byung Chun Han afirma que o homem moderno está condenado a ser produtivo. A respeito disso, nota-se que o capacitismo está intrinsicamente ligado a esse pensamento, visto que na sociedade atual as pessoas que não seguem o ideal de excelência, seja na área profissional seja na vida pessoal, sofrem com as comparações estabelecidas nos meios virtuais e reais. Dessa forma, esses pensamentos criam preconceitos contra indivíduos que não podem seguir essa ciclo produtivo.
Ademais, outro desafio para superar o capacitismo é o silenciamento. Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao afirmar que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, percebe-se que a maioria das grandes mídias falham enquanto agentes primordiais para a construção critica dos cidadãos, dado que há um grande silenciamento em torno desse tema. Sendo assim, sem as informações necessárias para desenvolver nos indivíduos reflexões que descontrua a ideia de capacitismo a atuação sobre o problema fica dificultada .
Portanto, com a finalidade de combater o ideal de produtividade e acabar com o preconceito capacitista, urge que o Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com as mídias, faça amplos debates, por meio das páginas oficiais do governo nas redes sociais. Para tal, essa ação deve conter a participação de deficientes que já sofreram esse preconceito, para gerar empatia no público, e a participação de filósofos influenciadores, como o Leandro Karnal para explicar os malefícios que a sociedade pautada na produtividade excessiva pode causar, como o capacitismo. Somado a isso , de modo a reforçar a ação, o Governo poderá subir a #diganaoaocapacitismo para alcançar um maior público. Assim, a teoria eugênica do capacitismo poderá não representar mais o Brasil.