Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

“Que maravilha seria se ninguém precissase esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão de vida idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, os desafios para o combate ao capacitismo no Brasil revelam o distanciamento a tal cenário dos sonhos. Isso se deve à histórica inabilidade estatal e à omissão da sociedade, o que prenuncia a necessidade de mudanças.

Em primeira análise, segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, o Estado deve governar de forma a proporcionar a felicidade ao maior número de indivíduos. No entanto, o Governo não cumpre o seu papel, uma vez que a falta de projetos de inclusão aos deficientes físicos, sejam educacionais sejam econômicos, difundem uma mentalidade de que eles são totalmente limitados. Nesse sentido, diante de informações do Data Folha, é notória a falta de atitude do governo brasileiro ao revelar que menos de 1% da renda nacional é destinada para projetos de integração desses indivíduos, o que colabora para o descumprimento da Constituição Cidadã, a qual prioriza a inclusão, o respeito e a vida. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparado a um crime contra toda a comunidade.jk,

Vale ressaltar, ainda, sob ótica sociológica, que a omissão da sociedade está intrinsecamente relacionada com os desafios para o combate do capacitismo no país. Essa correlação pode ser comprovada pela fala do antropólogo Sílvio Brava, o qual declarou, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que tal problemática reside no silêncio da sociedade, a qual não denuncia a violência e a discriminação sofrida pelos deficientes físicos e nem participa de movimentos sociais em prol da inserção desses indivíduos no âmbito social. Nesse contexto, segundo pesquisas do jornal O Globo, é evidente a intensificação dessa problemática, tendo em vista que mais de 53% da população compartilha de uma visão discriminatória e limitadora em relação aos deficientes. Dessa maneira, a sociedade torna-se vítima das suas próprias omissões e contradições.

Portanto, a fim de mitigar essa problemática é imperativo que o governo federal, como provedor dos direitos sociais, invista, por meio dos impostos arrecadados, na formação de projetos sociais que ampliem a potencialidade dos deficientes físicos, sejam por meio de atividades lúdicas sejam por meio de atividades educativas. Paralelamente, a Mídia, como influenciadora da consciência coletiva, deve, por intermédio dos canais televisivos, promover debates que conscientizem a população acerca da importância de agir socialmente, a exemplo dos movimentos sociais, e da desmistificação da limitação do deficiente. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para o benefício de todos.