Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

Popular durante o século XIX, o circo Barnum and Bailey’s se tornou famoso nos Estados Unidos por seus “Freak Shows”, que consistiam na exposição de pessoas com deficiências físicas ou anomalias evidentes, como entretenimento para o público. Dessa forma, é notável que PNEs foram historicamente desumanizados, tratados como aberrações úteis apenas para entreter, oque se configura como uma violação do direito inalienável à dignidade. Nesse sentido, os maiores desafios para evitar a discriminação contra pessoas com deficiência são o seu tratamento como incapazes, e a crença de que suas limitações o afastam de uma contribuição efetiva com a sociedade.

Primeiramente, é importante salientar o conceito de capacitismo, que nada mais é do que a discriminação ou violência contra pessoas com necessidades especiais, possivelmente tratando-os como se não pudessem sequer fazer escolhas próprias. Dessa maneira, o capacitismo se aproxima de outras formas de tratamento hediondo - como racismo e homofobia - uma vez que descredibiliza um ser humano, reduzindo-o à um único traço de seu ser. Assim sendo, caso o capacitismo se normalize, não apenas será desastroso para o psicológico dos atingidos, como também tornará realidade aquilo que prega, pois, uma vez que a sociedade trate as PcD como inúteis, assim elas mesmas se verão, diminuindo as chances de se sobressaírem como poderiam.

Além disso, é preciso relembrar a trajetória de uma das personalidades mais marcantes do século XX: O físico teórico Stephen Hawking, cujos estudos no campo da astrofísica trouxeram importantes avanços na comunidade científica, com seu nome ecoando fortemente até o dias de hoje, inclusive na cultura pop. Hawking foi diagnosticado com uma doença degenerativa que limitava suas locomoções e até mesmo sua fala, dificultando sua carreira acadêmica e a continuação de suas pesquisas. No entanto, com a ajuda de aparelhos, o físico se tornou um dos mais apreciados do último século, provando que sua doença não era motivo para ser menosprezado, e muito menos descartado.

Em suma, é indispensável a adoção de medidas que visem a regressão do capacitismo no Brasil, refutando a mentalidade de que deficientes são menos capazes do que os considerados “normais”. Logo, é dever do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, a promoção de palestras sobre a inclusão de PNEs nas atividades escolares, com objetivo de combater a curto prazo o capacitismo na infância e adolescência. Outrossim, o MEC deve criar uma disciplina na grade curricular que aborde ética e cidadania, para que a discriminação seja previnida antes que aconteça, e não apenas remediar suas consequências. Somente assim, novos Stephens surgirão nos mais diversos campos e contribuições da sociedade, e não em circos de horrores.