Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 28/12/2020
O livro ‘‘Extraordinário’’, um ‘‘best seller’’ norte americano, conta as diversas dificuldades vivênciadas por um garoto que nasceu com deformidades no rosto. Fora da ficção, infelizmente, essas dificuldades também são muito comuns na vida das pessoas que apresentam alguma tipo de deficiência, uma vez que o capacitismo -que é a violência ou a descriminação contra deficientes- se faz muito presente na sociedade. Nesse sentido, é plausível afirmar que os desafios para o combate do capacitismo em questão no Brasil se encontram no fato de que, assim como outros preconceitos, ele se manifesta de forma estrutural, bem como de forma institucional.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que na Idade Média os deficientes eram assassinados logo quando nasciam. Apesar dos inegáveis avanços da humanidade, o capacitismo estrutural -que é o preconceito transformado em violência, física ou verbal, contra deficientes- mostra que o mundo ainda contém algumas atitudes retrógradas e repugnantes. Nesse contexto, é coerente afirmar que esse preconceito estrutural, por meio do ‘‘bullying’’, se manifesta muito no ambiente escolar, proporcionando a exclusão social dos deficientes e, desse modo, afetando negativamente a saúde mental dos mesmos. Portanto, fica claro que hodiernamente a sociedade não mata mais os deficientes, mas mata a sua dignidade.
Paralelamente, pode-se dizer que, segundo Sartre , um dos maiores filósofos contemporâneos, o homem está condenado a ser livre. No entanto, a atual situação dos deficientes no Brasil vai de encontro com essa proposição, já que o capacitismo institucional -que, por considerar os deficientes incapazes de relizar todas as atividades do cotidiano, coloca-os em uma posição de inferioridade social- impede que eles tenham acesso a um emprego, ao lazer e até mesmo à educação de qualidade, isto é, impede que eles possuam liberdade. Sendo assim, é evidente que, de maneira análoga a outras minorias, os deficiente são automaticamente desfavorecidade dentro da sociedade.
Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, é necessário que a população, por meio de uma lei de iniciativa porpular -assinada por 1% do eleitorado brasileiro, assim como exigido pela Constituição Federal de 1988-, solicite que todas as escolas tenham um pedagogo pós-graduado em uma especialização, fornecida gratuitamente pelo Estado, que proporcione conhecimento de como lidar com o ‘‘bullying’’ contra deficientes. Além disso, esse profissional deve mostar para os estudantes, com auxílio de palestras e conversas, que os deficientes são capacitados de realizar grande parte das atividades do dia-a-dia. Assim, situações como no livro ‘‘Extraordinário’’ poderão ficar somente na ficção.