Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

O filme “O Rei do Show”, exibido pela primeira vez em 2019, retrata história da criação do primeiro circo da história, com a contratação de indivíduos considerados peculiares na sociedade em que se inserem. Fora das telas, o longa representa uma analogia à exclusão das minorias no cenário social, as quais sofrem com o capacitismo até os dias atuais. Assim, a ineficiência governamental para contingenciar os desafios acerca dessa problemática, mediante ao contexto histórico de exclusão no país, perpetua essa conjuntura no Brasil.

Diante disso, faz-se preciso compreender as bases históricas desse cenário e como ele se manifesta atualmente. Assim sendo, o capacitismo atinge seu ápice em meados do século XIX, com a Segunda Guerra Mundial, uma vez que deficientes, considerados fora da normalidade, tornaram-se alvos de intensas perseguições e experimentações ilegais. Sob essa ótica, para muitas pessoas, até mesmo no mundo hodierno, esses seres fogem da chamada corponormatividade, pois não se encaixam no padrão socialmente construído de “corpo normal”. Logo, consoante o sociólogo Erving Goffman, ao fugirem do padrão normativo, esses cidadãos, muitas vezes, são vistos como incapazes e enfermos, o que os localiza à margem do progresso nacional.

Ademais, a falta de preparo governamental para inseri-los plenamente na comunidade é fator agravante da situação. Nesse contexto, a escassez de políticas públicas para a inserção em escolas e, posteriormente, no mercado de trabalho, dificulta sua interação com outros e faz com que se sintam deslocados socialmente. À vista disso, surge, em 2015, o Estatuto de Pessoas com Deficiências, com o fito de condicionar a melhoria na qualidade de vida desse contingente populacional. Contudo, embora os dados do Censo Escolar desse mesmo ano comprovem o aumento de estudantes especiais, é nítido que o processo inclusivo ainda consolida um problema a ser solucionado.

Destarte, é evidente que os desafios para o combate ao capacitismo precisam ser superados. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Educação, promover a equidade no meio escolar, a fim de visar a inserção homogênea dessa camada no sistema de ensino. Nesse viés, esse ato será concretizado por meio da parceria com o Ministério da Economia, o qual deve direcionar parte da verba da Lei de Diretrizes Nacionais para a instauração desse exercício, com a contratação de profissionais capacitados e da construção de um ambiente de fácil acesso para todos, com o propósito de consolidar uma sociedade inclusiva desde a fase primária de educação e convívio. Com essas medidas, poderá ser dado fim a essa postura preconceituosa, afastando-se da realidade exibida pelo filme “O Rei do Show”.