Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 28/12/2020
O filme “Extraordinário” narra a história de uma criança com um defeito genético que a torna deficiente de nascença. Na obra, o pequeno Auggie passa por inúmeros desafios de socialização por não estar dentro do padrão socialmente construído de corpo ideal – corponormatividade –. De maneira análoga à história fictícia, a questão da equidade e da inclusão das pessoas com deficiência, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito à persistência do capacitismo na sociedade. Assim, é fulcral afirmar que a postura ineficaz do Estado e a lenta mudança de mentalidade social e corroboram para a perpetuação desse cenário negativo.
Em primeiro plano, é irrefutável a ineficiência das autoridades na resolução desse problema, visto que ele persiste no contexto atual. Em conformidade com o filósofo iluminista, John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, afinal, como para ele os seres humanos são egoístas por natureza, é preciso um Estado forte que, por sua parte, terá o dever de evite conflitos entre os seres humanos e promover a igualdade de direitos de todos, o que não ocorre atualmente no Brasil. Desse modo, a quebra do contrato advém não só da falta de políticas públicas inclusivas e equitativas, mas também da repressão ineficaz da visão capacitista que favorece atos preconceituosos e discriminatórios contra as pessoas com deficiência.
Ademais, é indubitável que a vagarosa transformação intelectual da sociedade impulsiona a violência contra as pessoas com deficiência. Segundo o Físico Alemão, Albert Einstein: “A menos que modifiquemos a nossa maneira de pensar, não seremos capazes de resolver os problemas caudados pela forma como nos acostumamos a ver o mundo”. Nessa óptica, é notória a importância da desconstrução da visão capacitista, sobretudo no que tange as expressões que geram inferiorização, diferenciação ou restrição, – estereótipos –, atribuídas aos cidadãos deficientes, devido ao fato de serem extremamente prejudiciais, pois contribuem para a manutenção do preconceito, o que resulta numa sociedade cada vez mais excludente e violenta.
Tendo em vista o que foi discutido, é mister que medidas sejam tomadas para coibir o problema discorrido. Diante disso, cabe ao Governo Federal, na figura das Secretarias Municipais de Educação e Assistência Social, criar um programa de ações integradas voltado às pessoas com deficiência e à sociedade. A proposta deve ser embasada no desenvolvimento das potencialidades delas, tornando-as protagonistas das atividades elaboradas – saraus, peças teatrais, musicais e até mesmo cursos profissionalizantes –. Para isso, é preciso que o programa conte com a participação ativa e conjunta da sociedade, a fim de fortalecer a socialização e oprimir o capacitismo. Assim, poder-se-á alcançar uma sociedade diferente daquela retratada em “Extraordinário”.