Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Devido à idealização corporal, durante a Antiguidade Clássica em Esparta, crianças deficientes, consideradas incapazes para a vida em sociedade, eram sacrificadas. Infelizmente, apesar da distância temporal, tal mentalidade ainda persiste na contemporaneidade, tendo em vista o capacitismo, que, no Brasil, limita a sociabilidade de cidadãos vulneráveis. Esse cenário nefasto revela um problema grave corroborado não só pela alienação midiática, mas também pelo silenciamento da discussão.

Nesse sentido, é importante destacar a construção de uma imagem limitante pela mídia. Nessa perspectiva, a filósofa e historiadora Hannah Arendt, em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, atesta o papel dos mecanismos radiotransmissores para o desenvolvimento do sectarismo ao supervalorizar valores hegemônicos em detrimento da diversidade. Sob essa óptica, em meio a um contexto de idealização física, a veiculação acrítica de padrões estéticos e cognitivos, sem a devida representação da pluralidade, negligencia o reconhecimento e a normalização de pessoas com deficiências, o que, por conseguinte, suscita preconceitos. Portanto, é inquestionável que a restrita visibilidade é preponderante para a recorrência da inferiorização das diferentes fisionomias.

Ademais, é necessário ressaltar a invisibilidade da problemática. Nessa perspectiva,  “The Fundamentals of Caring” é uma narrativa cinematográfica que aborda a trajetória de um jovem cadeirante que necessita de cuidados contínuos, o qual, pela escassez de autonomia, tem seu intelecto menosprezado por aqueles com quem convive. Analogamente, fora da ficção, pessoas com deficiência sofrem com a intransigência social baseada em preconceitos, a qual as priva de discussões e as silenciam, o que favorece a supremacia de uma inferiorização associada aos deficientes construída culturalmente. Logo, é incontrovertível que o combate ao capacitismo é vilipendiado pelo diminuto debate pela compreensão das diferenças.

Dessarte, ante a repercussão midiática e cultural, urgem mecanismos em prol mitigar o do capacitismo. Para isso, é fulcral que a Secretaria Especial da Culutra fomente a tolerância à diversidade. Isso deve ocorrer por intermédio de campanhas, durante os horários de concessão gratuita, as quais devem, por discussões que integrem psicológos e militantes pelo direito dos deficientes, tematizar o sectarismo que afeta os cidadãos invisibilizados seja pela mídia ou por preconceitos, com o fito de desenvolver uma sociedade empática e crítica. Assim, absurdos, tais como ocorridos em Esparta, serão, paulatinamente, restritos a um passado de exclusão.