Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Na cidade-estado de Esparta, na Grécia Antiga, as crianças que nasciam com alguma deficiência física eram assassinadas, pois eram consideradas incapacitadas para servirem ao Estado. Atualmente, entretanto, ao analisar o cenário brasileiro, pode-se perceber que, apesar de não mais serem eliminadas, as pessoas com limitações físicas ainda sofrem com um tipo de segregação, o capacitismo, que é a discriminação social contra pessoas com deficiência. Esse grave problema é decorrente da ineficácia estatal, aliada à falta de educação da população.

Antes de tudo, é válido destacar que, conforme o economista britânico John Maynard Keynes, “É dever do Estado garantir o bem-estar social dos indivíduos”. Sob essa óptica, é possível afirmar que os deficitários investimentos governamentais em políticas públicas de inclusão da população com deficiência é um fator determinante para a problemática, visto que, sem investimentos voltados à acessibilidade, esses cidadãos são colocados à margem da sociedade, o que coopera para que o preconceito contra esses indivíduos aumente ainda mais. Desse modo, fica claro que a inércia governamental é um grande contribuinte para o capacitismo.

Outrossim, a falta de educação de parte da população é outro agente determinante para a perpetuação da situação. Consoante a isso, o filósofo alemão Immanuel Kant afirmava que o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Assim, pode-se afirmar que a ausência de formação educacional faz com que cidadãos não se sensibilizem e não busquem compreender a diversidade da população, o que gera, por conseguinte, aumento da discriminação contra os mais de 45 milhões de brasileiros com alguma limitação física, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa maneira, é perceptível que a carência de educação por parte da sociedade brasileira é outro agente que auxilia na marginalização das pessoas com limitações físicas ou mentais.

Diante do exposto, o governo federal, agente responsável por administrar as questões que afetam todo o país, deve, por meio do Ministério da Cidadania, criar e ampliar programas de acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência, a fim de garantir o bem-estar social desses indivíduos. Além disso, deve, por intermédio do Ministério da Educação, aumentar a quantidade de vagas nas instituições de ensino, criar minicursos e oferecer palestras educativas sobre a importância da sensibilização, do respeito e da inclusão de cidadãos com limitações, com o fito de não só conscientizar e educar os brasileiros, mas também permitir com que as novas formas de segregação contra os deficientes sejam combatidas e, consequentemente, eliminadas.