Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Na série American Horror History é representado o show de aberrações, entretenimento práticado no século XIX, que obtia lucro por intermédio da exploração de diferentes deficiências humanas. Esse fato revela a subjulgação histórica a que estão submetidos esse grupo de pessoas, motivada pelo capacitismo, forma de exclusão em diferentes esferas sociais. No Brasil, o combate a esse mal tem encontrado entraves na persistência do modelo descriminatório de políticas públicas e na pouca abrangência das ações de conscientização social.

Inicialmente, o modelo de gestão pública do Estado brasileiro é históricamente incompetente para a promoção de medidas de inclusão de pessoas com deficiência. Tal fato é observado na ocorrência  do “genocídio brasileiro” em um sanatório de Barbacena, durante o século XX, onde inúmeros pacientes acometidos por limitações físicas ou mentais foram submetidos a condições desumanas de existência e, em muitos casos, mortos. Não distante, a prática de descriminação permanece nos tempos atuais e é refletida na forma como são construídos os espaços públicos, que, em grande parte, são idealizados sem a preocupação em garantir o acesso por pessoas com diferentes deficiências. Logo, estas são privadas de oportunidades de emprego e de usufruto dos direitos à educação, ao lazer e à cultura.

Em adição a isso, a indústria cinematográfica contribui para a perpetuação, na sociedade, do viés negativo atribuído à condição de deficiência. Essa afirmação sustenta-se segundo dados da fundação Ruderman Family Foundation, que revelam não só a baixa participação de pessoas deficientes em séries de TV, como também a predominância da representação desses em condições deprimentes ou degradantes. Consequentemente, é estimulada uma visão pessimista acerca das limitações físicas e mentais, o que prejudica a desconstrução de modelos históricos de exclusão, uma vez que o  entretenimento perpetua o capacitismo.

Diante disso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social, em parceria com munícipios e por meio de investimentos, readequar os espaços públicos, de modo a garantir o acesso irrestrito à cultura, lazer, educação e oportunidades para uma vida digna sem o entrave de barreiras físicas e preconceituosas. À Secretaria Especial de Cultura compete, por meio de subsídios, estimular a produção e veiculação de manifestações artísticas que tenham como objetivo dar visibilidade aos indivíduos com deficiência, com o intuito de conscientizar a população quanto a importância do respeito a eles e, por meio disso, viabilizar que a prática de inclusão seja realizada em todos os espaços.