Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

O filme “Extraordinário” conta a história de August Pullman, um menino que nasceu com uma síndrome rara que causou uma deformação em seu rosto. O decorrer da trama narra a difícil adaptação do garoto no colégio, pois além dos colegas de classe terem preconceito contra o jovem e a escola não saber lidar com a situação, a própria criança se exclui. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos desafios para o combate ao capacitismo no Brasil, uma vez que esse problema ainda é fortemente presente na sociedade contemporânea. Nesse contexto, torna-se evidente sendo como causa a lenta mudança da mentalidade coletiva, bem como a presente lacuna educacional.

A princípio, a tardia alteração da mente social em relação a discriminação praticada contra as pessoas com deficiências, caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, no século XVI, houve um redisionamento da visão com relação a deficiência, que deixou de ser tratada como uma questão moral para ser compreendida por uma abordagem médica. Isso posto, o “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a realidade em virtude da ignorância de sair de sua zona de conforto. Logo, nota-se que mesmo após o reconhecimento médico do tema, a população ainda se mostra ignorante quando se trata dos indivíduos deficientes, contribuindo na dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade e fazendo com que essa mentalida antipática resulte em preconceito.

Além disso, outro ponto relevante nessa temática, é a existente base educacional lacunar. Nesse viés, segundo dados do Data Senado, no Brasil, 77% dos deficientes já se sentiram desrespeitados. Nessa perspectiva, o filósofo prussiano Immanuel Kant, pregava que o ser humano é resultado da educação que teve. Dessa forma, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aulas conteúdos que ajam na resolução do preconceito contra deficientes e contribuam na inserção deles de maneira igualitária dentro dos meios sociais.

Dessarte, é nítido que os desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil precisam de soluções pontuais. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com mídias de grande acesso, crie campanhas educativas, como comerciais e eventos públicos, com a participação de profissionais da área e pessoas deficientes, com o objetivo de quebrar o tabu de que essa parcela da população é invalida, incapaz e inferior. Ademais, é importante que as insituições de ensino desenvolvam projetos, como gincanas e palestras, educando os estudantes a respeitarem as diferenças e os incentivando a criarem planos que possam ajudar na melhor inserção dos deficientes na sociedade. Assim, talvez, cenas como o do filme “Extraordinário” diminuam, e o capacitismo seja erradicado.