Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita. No entanto, o que se observa, hodiernamente, é o oposto do que o autor prega, pois o combate ao capacitismo em questão no Brasil configura uma barreira para a concretização dos planos de More. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de haver o pleno funcionamento do corpo social.       Primeiramente, vale ressaltar a incultura da sociedade brasileira como uma das principais causas da existência do capacitismo no Brasil. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), instituição que realiza pesquisas socioeconômicas no território nacional, o país figura mundialmente entre as piores posições no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o qual afere os aspectos sociais e econômicos da nação. Dessa forma, é comum ocorrem episódios em que os cidadãos associam a deficiência física à inferioridade humana.Tal fato é uma tragédia social, tendo em vista que, se essas pessoas fossem minimamente cultas, saberiam, por exemplo, que Beethoven era surdo e, no entanto, é o maior compositor de música clássica da todos os tempos, possuindo como obra magna a sua Nona Sinfonia.

Outrossim, é importante salientar o incentivo da mídia como impulsionador do capacitismo no Brasil. Nesse contexto, existem diversos programas televisivos que inflam o preconceito contra as deficiências físicas, exibindo espetáculos que denigrem a imagem das pessoas deficientes. O maior expoente dessa situação foi o programa “Pânico na TV”, exibido pela “Rede TV!”, emissora de televisão nacionalmente conhecida. Ele exibia, frequentemente, atrações em que anões eram atirados para o alto por catapultas ou arremessados em piscinas por homens mais fortes, o que confirma a influência midiática em relação à exclusão social de portadores de deficiência física.

Portanto, para resolver essa problemática, é imprescindível que a classe letrada brasileira (artistas, educadores etc.) se engaje, em conjunto, em projetos que conscientizem os brasileiros acerca do capacitismo, bem como cobrem da mídia uma postura mais humana em relação aos deficientes físicos. Poderão ser criadas páginas ativistas na internet que cumpram esse propósito, que possuam conteúdo informativo, como entrevistas com deficientes físicos, e denúncias cujo teor mostre a desumanidade ainda presente em programas de TV no que se refere às pessoas com deficiência física. Assim, atenuar-se-á o capacitismo em questão no Brasil e a sociedade viverá contígua à Utopia de More.