Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita. No entanto, o que se observa, hodiernamente, é o oposto do que o autor prega, pois o combate ao capacitismo em questão no Brasil configura uma barreira para a concretização dos planos de More. Essa problemática decorre principalmente da falta de cultura do povo brasileiro e do estímulo midiático. Desse modo, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento do corpo social.

Primeiramente, vale ressaltar a incultura dos cidadãos brasileiros como uma das causas do preconceito contra deficientes físicos no Brasil. Nesse contexto, por não ter acesso à cultura, grande parte da população desconhece as qualidades que um deficiente físico pode ter - como Beethoven, o qual era surdo e, apesar disso, é considerado o maior compositor de música clássica da história da humaninade. Do exposto, nota-se que os cidadãos preconceituosos discriminam portadores de deficiência por não conhecerem o quanto as pessoas deficientes já contribuíram e podem contribuir para a melhoria da sociedade, fato lamentável, pois a pessoa discriminada é prejudicada socialmente, podendo até ser rejeitada em uma vaga de emprego devido à sua condição. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura do povo de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o comportamento da mídia brasileira como impulsionador do problema. Nesse viés, durante mais de uma década, o “Pânico na TV”, programa televisivo de humor, bateu recordes de audiência por meio de atrações que ridicularizavam deficientes - dentre eles, se destacou o Bina, um torcedor corintiano que possuía deficiência mental e fazia parte do elenco. Dessa forma, os espectadores constroem uma percepção desumanizada sobre os portadores de deficiência.. Partindo desse pressuposto, percebe-se a colaboração dos veículos midiáticos no incentivo ao capacitismo no Brasil.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para tanto, é imprescindível que a classe letrada brasileira (por exemplo, artistas e  professores) se engaje, conjuntamente, em projetos cuja proposta seja conscientizar os brasileiros acerca do capacitismo, bem como exigir da mídia uma postura mais humana em relação aos deficientes físicos. Para tanto, poderão ser criadas páginas ativistas na internet que cumpram esse objetivo, as quais possuam conteúdo informativo, como entrevistas com deficientes físicos, e denúncias que mostrem a desumanidade ainda presente em programas de TV no que se refere às pessoas portadoras de deficiência. Assim, atenuar-se-á o impacto nocivo do capacitismo em questão no Brasil e a coletividade viverá contígua à Utopia de More.