Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Em “Vikings”,seriado americano,mostra-se a história de Ivar,um dos herdeiros de Ragnar,que apresenta uma atrofia muscular generalizada e,devido a isso,é tratado como inferior aos irmãos na sucessão do trono.Fora da ficção,sabe-se que a lógica do capacitismo,definida como as inferências realizadas antes do conhecimento da necessidade especial,causa diversas problemáticas no hodierno,seja pelos imbróglios fomentadores,seja pela cisão de direitos constitucionais.

Em primeira análise,é importante destacar que,em contraponto ao ético objetivo de ajuda presente nas sociedades anteriores,o oferecimento de auxílios preconceituosos aos portadores de dificuldades é extremamente prejudicial.Nesse sentido,faz-se presente a teoria estruturalista de Michel Foucault,sociólogo francês,em que debate-se o conceito da microfísica do poder,na qual o sistema sociopolítico,em equilíbrio dinâmico com as relações socioculturais,cria um conceito pré-sináptico de que,por um indivíduo ser portador de deficiência,certamente precisa de amparo.Dessarte,uma vez conscientes de tal ideia,a população em geral acha-se superior à minoritária,gerando benevolências e caridades que,muitas das vezes,causa constrangimento.

Consequentemente,em um contexto social que,não bastasse as inúmeras barreiras impostas aos deficientes,fomenta a formação do “bullying” e de doenças psicossociais,urgem incalculáveis injúrias às leis nacionais,hava vista que,de acordo com o Artigo 196 da Constituição Federal,a saúde é direito de todos e dever do Estado.Outrossim,nota-se a efetização da constituição de papel,crítica exercida pelo escritor brasileiro Gilberto Dimenstein,em que os direitos e deveres,estabalecidos na Carta Magna,permanecem apenas no campo ideológico,não apresentando efetividade pragmática.Dessa forma,em uma parcela da sociedade que carece do cumprimento de necessidades básicas,sobretudo devido à negligência estatal,dificulta-se,ainda mais,o pleno desenvolvimento das características essenciais à cidadania.

Portanto,em uma conjuntura social que almeja combater grandezas como essa,faz-se necessário não apenas debates teóricos,mas também ações factíveis que possam,direta ou indiretamente,amenizar o problema em questão.Logo,o Governo Federal,por intermédio do Ministério da Cidadania,com o fito de desconstruir a ideia dos deficientes inferiorizados,deve inseri-los nas mais diversas ocorrências diárias,promovendo a ampliação de cursos profissionalizantes específicos,por meio de políticas públicas e ações privadas,subsidiando empresas e indústrias que ofertarem mais de 5% das vagas aos portadores de algum déficit.Por fim,espera-se assim,minimizando a microfísica estabelecida,minorar as desigualdades enfrentadas.