Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
No filme “Glass”, o protagonista vivido por Samuel Jackson possui uma deficiência óssea, que torna-o suscetível à fraturas. Ao longo da trama, a narrativa revela que o preconceito a cerca do personagem, sua dependência materna na fase inicial, esconde suas verdadeiras intenções. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme, principalmente em seu início, revela a dificuldade sofrida por portadores de alguma deficiência para ingressar no mercado de trabalho. Tal dificuldade resulta da baixa adesão às políticas de inclusão por parte dos empresários de médio porte, que reflete na perpetuação do estigma de incapacidade do portador.
Em primeira análise, é importante destacar os resultados aquém da Lei de Cotas para deficientes. Tal lei exige que 2% a 5% dos postos de trabalho em empresas com mais de cem funcionários sejam preenchidas por deficientes. O ínfimo resultado demonstra que os empresários de médio porte, que são a maioria segundo o SEBRAE, não aderem signitificamente às políticas de inclusão por falta de interesse em integrar processos e logística dentro da empresa, dificultando a acessibilidade. Logo, um ambiente exclusivo que reafirma preconceitos e hierarquiza as pessoas segundo seus corpos.
Por conseguinte, existe uma manutenção do senso comum a cerca da incapacidade de autonomia. Felipe Rigoni, primeiro deficiente visual eleito Deputado Federal no Brasil, é um exemplo da ausência de representatividade, visto que foi eleito na última década e é o único da casa em tal condição. Essa ausência de representatividade reflete na dificuldade para inserção no mercado de trabalho, aumentando a dependência financeira da família. Assim, fica claro que pleitear uma vaga de emprego torna-se difícil quando a sociedade se quer o enxerga.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para fomentar a adesão às cotas de trabalho e concretizar os resultados esperados da Lei de Cotas para Deficientes, urge que as Prefeituras Municipais promovam eventos, como palestras e workshops, junto as associações locais de empresários e comerciantes. O objetivo é ser a ponte que liga o empresário ao colaborador portador de alguma deficiência. Tais eventos, serão financiados pelo Ministério da Cidadania e devem expor casos de sucesso, como o do Felipe Rigoni. Deve focar em trazer serviços prestados por equipes operacionais com colaboradores deficientes. Somente assim, com a normalização da condição, onde o portador não é nem um herói e muito menos um coitado, mas uma pessoa normal é que o Brasil realmente será uma pátria de todos.