Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
Sob as perspectivas de Rousseau, a teoria contratualista metaforiza a concessão das liberdades humanas ao Estado, o qual, em troca, seria responsável pela garantia igualitária dos direitos aos cidadãos. Apesar de ideológico, tal contrato perde a reciprocidade quando indivíduos que se afastam da perfeição ditada pela sociedade são excluídos. Nessa égide, esse fator desencadeia-se, seja pela negligência das escolas ou pela indigência governamental. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa inercial problemática.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que a educação inclusiva permeia a superação das diferenças e possibilita um ambiente com ausência de preconceitos ou esteriótipos pré concebidos. Contudo, essa educação não é efetivada pelas instituições escolares, uma vez que tal agente transfere a responsabilidade do ensino inclusivo às famílias, as quais, por sua vez, devolvem a função às escolas. Nesse cenário, fecha-se um ciclo inerte e sem valor educacional, contribuindo para a formação de sujeitos que priorizem a estética da perfeição e disseminem a inferiorização dos indivíduos que não se encaixam no pseudo patamar do belo. Consoante a Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Em contrapartida, percebe-se a negligência das escolas em engendrar oportunidades que viabilizem uma mudança efetiva em prol das coletividades desfavorecidas.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que o investimento do Governo, no que tange à criação de medidas que evitem o capacitismo e promovam a inclusão de pessoas com deficiência, é exíguo. Segundo um artigo publicado pela revista ‘‘Estudos Nacionais’’, em março de 2019, cerca de 30% da verba pública é desviada para setores de menor importância social. Nesse viés, na maioria das vezes, o capital que deveria ser destinado à campanhas de superação do preconceito e de ações que beneficiem a parcela desfavorecida é transferido para áreas econômicas menos relevantes. Destarte, a ignorância continua a refletir no âmbito hodierno e tende a perpetuar ao longo das gerações, possibilitando o aumento exponencial dos atos de capacitismo. Logo, medidas devem ser insulfladas com veemência.
Evidencia-se, diante do olhar físico de Isaac Newton, que um corpo tende a permanecer na inércia se uma força externa não lhe for aplicada. Portanto, urge uma parceria entre o Ministério da Educação e Poder Público, promovendo a desmistificação da incapacidade de pessoas com deficiência e inserindo o ensino inclusivo em currículo escolar, por meio de peças teatrais, debates ou palestras que demonstrem a igualdade de tratamento e equidade de tarefas que devem ser efetivadas, com o intuito de remover nomes perjorativos e garantir a valorização das demais formas de deficiência. Assim, a teoria contratualista de Rousseau atingirá a reciprocidade.