Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles desenvolveu o conceito de “Isonomia” - tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, na medida de suas desigualdades. Todavia, a arquitetura e estruturas sociais permanecem privilegiando um grupo social padrão, o que contraria a ideia aristotélica e impede o combate efetivo ao capacitismo no Brasil, em especial no que concerne à marginalização histórica das diferenças e à visão limitada de deficiência. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

À vista desse cenário, enquanto uma condição física ou mental for objeto de escárnio, a sociedade será obrigada a conviver com uma das maiores discriminações: o capacitismo. Sob esta ótica iminente, o filósofo russo Mikhail Bakhtin retrata, em sua obra “Carnavalização da Sociedade”, como o riso é usado para desconstruir a identidade de um grupo. Nessa lógica, desde o século 19, com a exibição dessas pessoas como shows de aberração, a ridicularização denunciada por Bakhtin ocorre, o que incentiva a estereotipação e inviabiliza a igualdade. Dessarte, é medular incentivar a presença respeitosa dessas pessoas nos diversos espaços.

Outrossim, a concepção social da pessoa com deficiência evidencia o preconceito enraizado. Consoante a isso, o escritor alemão Franz Kafka aborda, em sua obra “A Metamorfose”, como o papel social das pessoas é definido pela sua utilidade. De maneira análoga, os deficientes são vistos como incapazes e vulneráveis e, de acordo com a tese defendida pelo escritor, são excluídos do corpo social e silenciadas por serem considerados inferiores e não úteis. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de garantir o acesso dessas pessoas aos diversos papéis sociais.

Urge, portanto, que as escolas trabalhem a correta percepção sobre os deficientes, por intermédio de oficinas e palestras ministradas por pessoas com as mais variadas condições físicas, cognitivas e mentais. Essa iniciativa aproximaria os meninos e meninas com deficiência dos não deficientes de diversas faixas etárias e teria a finalidade de mudar a forma com que essas pessoas são tratadas e mostradas, para que elas tenham as suas diferenças respeitadas. Assim, o conceito de Aristóteles pode vingar na sociedade brasileira.