Desafios para o combate ao capacitismo em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
“Uma menina estranha”, biografia da autista Temple Grandin, retrata a sua luta para se inserir na sociedade e as dificuldades que os deficientes possuem para serem aceitos e respeitados. Para além da obra, na contemporaneidade, os desafios de Grandin fazem parte da vida de milhares de brasileiros que são atingidos pelo capacitismo. Isso não se evidencia apenas pela reduzida inclusão desse grupo no corpo social, mas também pela naturalização de hábitos capacitistas no cotidiano. Cabe-se, então, buscar maneiras de se combater esse mal antiético presente na atualidade brasileira.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, os deficientes, em sua maioria, não são devidamente incluidos na dinâmica social, devido aos discursos capacitistas que excluem esse grupo. Isso porque há uma fragilidade na garantia de igualdade de direitos e a valorização das diferenças, haja vista a baixa participação no mercado de trabalho e a debilitada acessibilidade física da maioria dos locais, o que dificulta que a pessoa com deficiência alcance o máximo de seu potencial e utilidade, permitindo que se sintam protagonistas da própria vida. Habermas, nesse sentido, refletiu em sua obra “A inclusão do outro”, as práticas inclusivas dos indivíduos enfrentadas pelas sociedades democráticas, ressaltando a importância do convívio pautado no respeito mútuo, conceito esse ideal para combater o capacitismo e exclusão presentes no Brasil. Dessa forma, a relação entre as pessoas daria-se de forma saudável.
Ademais, em um segundo plano, a naturalização de discursos capacitistas permite sua extensa permanência nos diálogos cotidianos. Isso ocorre porque a sociedade se silencia perante a humilhação que destrói, nas mínimas expressões, a identidade e luta dos deficientes, uma vez que ao reproduzir como xingamento o nome das deficiências ou características que definam o indivíduo debilitado, possibilita-se a correlação apática entre desvios de cárater de normativos e a deficiência insultada. Segundo Hans Jonas, na teoria do princípio da responsabilidade, os indivíduos tem que agir de maneira que suas ações sejam compatíveis com a sobrevivência humana, no entanto, a permanência de falas capacitistas impossibilita esse adequado convívio. Logo, precisa ser fortemente combatido.
Torna-se evidente, portanto, que os desafios para combater o capacitismo no Brasil perpassam pela dificuldade de inclusão, como também pelo vocabulário preconceituoso do corpo social. Para reverter esse quadro, é preciso que os governos locais façam, em parceria com psicólogos, campanhas elucidativas tratando de inserir esse grupo na sociedade, por meio da disponibilidade de lugares para desenvolvimento neurolinguístico e científico dos deficientes, como uma forma de aumentar a autonomia e, com o exemplo de suas capacidades, combater as falas capacitistas. Dessa maneira, construir-se-á uma sociedade em que de fato a inclusão esteja presente, como deseja Temple Grandin.